Karina Buhr no Recife

Cantora celebra o auge com show vibrante em Recife

Entrevista: Into The Void

Em entrevista ao Metropolis Music, os americanos do Into The Void falam sobre seu novo álbum, a cena Metal da região, o processo de criação de seus clipes e muito mais

Pérola perdida

Funk, Prog e Jazz com os africanos do Demon Fuzz

Band of Skulls

"Sweet Sour apresenta o trio ainda mais flexível, partindo de canções puramente densas à composições com toda a sutileza do folk."

Leonard Cohen

"As velhas ideias deste senhor ainda são muito superiores à várias novas sensações do cenário musical."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Música de Brinquedo - Pato Fu (Review)

Nesse ano, o Pato Fu lança um disco que ultrapassa as expectativas da banda, sendo sucesso de vendas e crítica no país. 

O título do disco dá uma noção do que o projeto se trata: músicas tocadas com instrumentos de brinquedos e com backing vocals feitos por crianças. Porém, não são quaisquer músicas. São clássicos da música brasileira e internacional. Desde B,J, Thomas, passando por Titãs, Paul McCartney, Zé Ramalho, Tim Maia, Chico Science & Nação Zumbi entre outros.

Para quem tem a cabeça mais fechada, a primeira audição o disco pode soar estranho e até idiota, com crianças cantando o refrão de Primavera (Vai Chuva) ''É primavera, te amo''. Porém, o repertório do álbum é tão bem planejado, que é quase impossível não entrar nesse som gostoso oferecido pela banda de Belo Horizonte.

O disco desce fácil, muito gostoso de se ouvir sozinho ou em uma conversa com os amigos, até porque Música de Brinquedo oferece alguns momentos até engraçados, (propositalmente, lógico) como o semi-gutural feito por uma criança em Live And Let Die.

A banda resolveu encarar o desafio e levar os instrumentos de brinquedo para o palco na sua turnê brasileira, que foi um sucesso. Para quem não pode assistir aos shows, a banda tocou três músicas, Sonífera Ilha, Frevo Mulher e Live And Let Die, no programa Altas Horas, da rede Globo. Para quem quiser ver ou assistir novamente, os vídeos estão disponíveis no YouTube.

Música de Brinquedo demostra coragem da banda ao mexer em clássicos com instrumentos que, de certa forma, exigem uma certa habilidade. Isso somado ao resultado de canções como Rock n´ Roll Lullaby, Ovelha Negra e Love Me Tender, que se encaixaram perfeitamente a voz suave de Fernanda Takai e os simpáticos backing vocals infantis fazem de Música de Brinquedo um sério candidato a melhor disco do ano.

Tracklist:


01. Primavera (vai Chuva)
02. Sonífera Ilha
03. Rock And Roll Lullaby
04. Frevo Mulher
05. Ovelha Negra
06. Todos São Surdos
07. Live And Let Die
08. Pelo Interfone
09. Twiggy Twiggy
10. My Girl
11. Ska
12. Love Me Tender

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Álbum da Semana: Natural Magic - Green Bullfrog

Já imaginou se músicos do Deep Purple e Procol Harum se reunissem para fazer um som sob a regência de um produtor que já trabalhou com grupos como The Pretty Faces, Whishbone Ash e Deep Purple ? Pois bem, isso aconteceu, e o melhor de tudo: foi gravado.

Para não haver problemas contratuais com as respectivas gravadoras, foram usados pseudônimos para referir-se aos músicos. O disco foi lançando em 1972, mas como os músicos eram totalmente desconhecidos do público, Natural Magic vendeu muito pouco, entrando no abismo da obscuridade setentista.

O destaque do disco são as guitarras, indo para um lado mais ácido ou para uma pegada mais Blues. Não é por menos, além de Blackmore, o Green Bullfrog também tem Albert Lee nas guitarras. Músico que criou várias técnicas de estudo para o instrumento.

Natural Magic acaba sendo uma aula de guitarra. É indispensável a audição de faixas como Walk A Mile In Shoes, Makin´ Time, My Baby Left Me (cover do Creedence Clearwater Revival), Lawdy Miss Clawdy e principalmente ao duelo de guitarras na virtuosa instrumental Bullfrog.

Tracklist:


1. Ain't Nobody Home
2. Bullfrog
3. Walk a Mile in My Shoes
4. My Baby Left Me
5. Makin' Time
6. Lawdy Miss Clawdy
7. I'm a Free Man
8. Lovin' You is Good for me Baby
9. I Want You
10. Louisiana Man
11. Who Do You Love

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domingo, 7 de novembro de 2010

John x Paul

Por Sérgio Martins
Jornalista
Matéria publicada originalmente na revista Veja. Edição 2189 - ano 43 - nº 44

Os shows de Paul McCartney no Brasil e o relançamento dos discos-solo de John Lennon são uma boa oportunidade para reavivar o mais irresistível debate do Rock: qual dos dois foi o maior beatle?

Entre os fãs de Rock, há uma disputa ancestral para decidir qual é a maior banda de todos os tempos - os Beatles ou os Rolling Stones. E uma divisão ainda mais acirrada corre entre os partidários do quarteto de Liverpool: O Fla-Flu musical entre os parceiros (e depois cordiais inimigos) John Lennon e Paul McCartney, que assinam a maior parte das canções dos Beatles. Dois eventos desta semana permitirão que os beatlemaníacos revisem ou reforcem suas posições nessa querela. Comemorando os 70 anos de nascimento de Lennon e lembrando os trinta de sua morte, que se completarão em 8 de dezembro, está chegando às lojas a reedição completa dos discos-solo do compositor de Imagine, um álbum original e três compilações. E McCartney, 68 anos e ainda o ''beatle bonitão'', desembarca para shows no próximo domingo em Porto Alegre e, nos dias 21 e 22 em São Paulo. Os mais equilibrados argumentarão que esse debate é inútil. Ambos, afinal, eram músicos de talento excepcional, aos quais se pode creditar a invenção do POP. A natureza do fã, porém, tem pouco de equilíbrio - e muito de exaltação.

A criação dos Beatles, em torno de 1960, deve-se sobretudo a Lennon, e nos primeiros anos foi ele seu líder e porta-voz inconteste. Também foi Lennon quem mudou as canções pueris e açucaradas dos primórdios da banda para composições de mais fôlego, ousadas na crítica social e adultas na exploração de dramas pessoais. McCartney assumiu a liderança de fato dos Beatles em 1966, fase em que Lennon estava mais interessado em experiências psicodélicas do que no trabalho de gravação (foi McCartney, entretanto o primeiro beatle a experimentar LSD). Por tanto, o motor criativo dos melhores discos da banda, como Revolver e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, foi McCartney. Em contraste com o parceiro disciplinado, Lennon era também errático. O técnico de som Geoff Emerick lembra que McCartney dava instruções técnicas, precisas, enquanto Lennon pedia coisas como ''faça-me soar como o Dalai Lama pregando no topo de uma montanha''. Ainda assim, Lennon saía-se com ousadias que até hoje soam criativas e modernas. É o caso de Tomorrow Never Knows, com seus efeitos de guitarra e instrumentos tocando de trás para a frente. Também fpo Lennon quem deu forma revolucionária à canção mais ousada de Sgt. Pepper´s - A Day In Life, uma das últimas parcerias efetivas da dupla.

Nunca totalmente sozinho: Paul McCartney voltou a tocar músicas de John Lennon, o seu eterno parceiro e rival.

Não se deve concluir daí, porém, que McCartney fosse o ''quadradão'' da banda. O biógrafo Barry Miles derrubou esse velho lugar comum. Era McCartney, e não Lennon, quem frequentava o mundo da moda e as galerias de arte (ainda que Lennon tivesse passado pela Liverpool School Of Art e fosse um desenhista talentoso). As várias guinadas musicais do grupo foram quase sempre capitaneadas por McCartney. E esse espítiro inquieto resiste. McCartney surpreendeu os que o acusavam de compor apenas baladas adocicadas quando lançou o projeto The Fireman, em 1994. Trata-se de um trabalho de música eletrônica, gravado ao lado de Youth, baixista do grupo pós-Punk Killing Joke. A parceria foi renovada em um disco de 2008, Eletric Arguments (esse McCartney de rave, porém, não comparece aos shows ao vivo, nos quais prefere se ater aos standards dos Beatles e de sua carreira solo, como Live And Let Die e Band On The Run).

Os dois beatles tinham temperamentos difíceis. Lennon, em particular, era um tipo abrasivo, às vezes até violento - em uma crise de ciúme, chegou a dar com a cabeça da primeira mulher, Cynthia, contra uma parede. Era talvez inevitável que o choque entre eles resultasse na dissolução do grupo, em 1970. A influência da chatonilda Yoko Ono, o grande amor da vida de Lennon, sobre o fim do grupo costuma ser um tanto superestimada. Aliás, um defeito comum aos dois, na carreira-solo foi a inclusão de suas mulheres em shows e discos, em franca desproporção com o talento delas. Paul, pelo menos, parece ter sido feliz com a pandeirista Linda McCartney (o mesmo não se pode dizer de seu casamento com Heather Mills, que há doius anos lhe arrancou 85 milhões de reais em um divórcio litiginoso). A despeito da cultivada imagem de casal maluco beleza, a união de Lennon com Yoko teve lançes que beiram a patologia: em certo período, ela passou a negar sexo ao parceiro, que se entregava então compulsivamente a práticas solitárias.

Aparentemente conciliado com o antigo rival, McCartney hoje até inclui músicas da carreira solo de Lennon, como Give Peace A Chance, no repertório de Up And Coming, turnê que ele traz ao Brasil. E, claro, toca várias canções dos Beatles. 'Um dia, quando eu lançar um disco realmente bom, quem sabe eu possa deixá0las de lado'', ironizou ele certa vez. Não há escapatória: Paul McCartney será para sempre o parceiro de John Lennon, seu rival.

O fla-flu do Rock
Item por item, o embate entre dois beatles - John Lennon e Paul McCartney

  • Melodia
McCartney foi o idealizador de discos como Revolver e Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, que fizeram a banda amadurecer. Mas Lennon compôs canções como Tomorrow Never Knows e A Day In Life, inovadoras nos arranjos e ousadas na melodia

Paul McCartney *
John Lennon *
  • Letras
Depois de ouvir orientações de Bob Dylan, em 1965, Lennon começou a fazer letras mais pessoais, com jogos de palavras criativos e assuntos inusitados, como em I Am The Walrus (Eu Sou A Morsa). McCartney era bom nas mensagens sentimentais, como em The Long And Winding Road e na lindíssima She´s Leaving Home

Paul McCartney
John Lennon *
  • Inovação
Lennon ficou com fama de provocador. Mas, em boa parte do tempo, estava chapado demais para exercê-la. McCartney, assim, foi o verdadeiro beatle de vanguarda, Frequentava galerias de arte, era obcecado por técnicas de estúdio e introduziu novos elementos sonoros na música dos Beatles - como o solo de trompete de Penny Lane, inspirado em Bach.

Paul McCartney *
John Lennon
  • Moda
McCartney frequentava o mundo da moda em Londres, e foi dele a idéia para os figurinos de Sgt. Peppers. Hoje, sua filha Stella é uma estilista respeitada

Paul McCartney *
John Lennon
  • Sucesso com as fãs
McCartney, todo certinho, era chamado de ''o beatle bonitão''. Já Lennon tinha um apelo mais selvagem e imprevisível - foi ele quem descreveu as turnês da banda como orgias intinerantes

Paul McCartney *
John Lennon
  • Escolha de mulheres
Os dois encontraram o grande amor no fim da década de 60: McCartney casou-se com a americana insossa Linda Eastman; Lennon com a japonesa chatonilda Yoko Ono. Ambos a puseram para cantar. Antes não o tivessem feito

Paul McCartney *
John Lennon
  • Trato com os mortais
Lennon e McCartney eram difíceis no trato com os fãs, mas a acidez de Lennon causava mais danos. Ele chegou a fazer um músico que o admirava, da banda Turtles, desistir da carreira.

Paul McCartney *
John Lennon *
  • Carreira pós-Beatles
No trabalho-solo, ambos lançaram discos ótimos e sofríveis. Lennon, porém, emplacou mais canções realmente memoráveis, como Imagine e Happy Christmas (War Is Over)

Paul McCartney
John Lennon *

PLACAR FINAL:

Paul McCartney:
6
John Lennon :
4



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Álbum da Semana: The Delirium Has Just Began... - Tuatha de Danann

Considerados os pioneiros do folk metal no Brasil, os mineiros do Tuatha de Danann já lançaram três álbuns de estúdio em um DVD, e aos poucos vão ganhando mais destaque na cena nacional. Liderados por Bruno Maia, o grupo apresenta um folk metal bastante peculiar abusando do uso de flautas ao lado do peso das guitarras, além das influências celtas, que não envolvem somente as melodias, mas também as letras e o próprio nome da banda, que vem da mitologia celta e significa "povo da deusa Danú".

"The Delirium Has Just Began..." é o segundo álbum da banda e foi lançado em 2002.
A divertida Brazuzan - Taller Than a Hill, faixa que abre o disco, serve como um bom exemplo para explicar a proposta da banda.
The Last Pendragon - que foi originalmente composta em 1995 quando a banda ainda se chamava Pendragon e tinha influências do doom metal mais presentes - possui mais pesos nas guitarras, além dos vocais guturais do baixista Giovani Gomes, porém ainda sim os elementos folk estão presentes. E são esses mesmos elementos folk que predominam em Abracadabra e The Wanderings of Oisin, ambas as músicas também contam com a participação da vocalista Isabel Tavares.
The Last Words, melhor faixa do disco, possui um clima mais voltado para o metal melódico em certos momentos. A faíxa-título com seus mais de 10 minutos de duração encerra o álbum apresentando um pouco mais de experimentalismo que as outras músicas aqui presentes.

"The Delirium Has Just Began..." é um álbum bastante variado, o que provavelmente não agradará os mais sensíveis auditivamente, mas isso obviamente não tira os méritos deste trabalho que possui um clima que lhe faz viajar do começo ao fim. Fãs de folk metal em geral não deixem de conferir!

DOWNLOAD

  1. Brazuzan - Taller tha a Hill
  2. The Last Pendragon
  3. Abracadabra
  4. The Last Words
  5. The Wanderings of Oisin
  6. The Delirium Has Just Began
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domingo, 31 de outubro de 2010

Mentes Que Inspiram - Aleister Crowley

Por Pedro Kirsten

Pensadores, escritores, artistas e diversas personalidades sempre desempenharam um papel importante na hora de influênciar músicos em suas canções. No rock e no heavy metal principalmente, muitas vezes podemos atribuir este papel à Aleister Crowley, um dos mais famosos e importantes ocultistas do século XX.

Nascido em 1875 na Inglaterra, Edward Alexander Crowley foi criado em uma rica família de cervejeiros. Aos 4 anos de idade já sabia ler e aos 10 estudava grego e latim. Sua família era muito religiosa e quando criança era capaz de citar passagens inteiras da Bíblia, porém após a morte de seu pai Crowley começou a demonstrar seu lado mais rebelde e aos 11 anos renegou completamente a religião e cresceu como anticristão convicto, segundo ele, decepcionado com um deus que o abandonara e à mercê de uma mãe pela qual nutria medo e suspeita.

Durante sua vida Crowley adotou dezenas de pseudônimos diferentes, segundo ele para expandir seu conhecimento sobre a humanidade, e em 1895 escolheu o pseudônimo "Aleister" por seu aspecto celta da época dos druidas.
Com a morte de sua odiada mãe, ele herdou 40 mil libras e se mudou para Londres onde se tornou membro da Aurora Dourada e começou a estudar e a fazer experiências de ocultismo.

As idéias pregadas em suas obras eram em boa parte baseadas nas idéias sobre o ocultismo e a mágicka (escrita com "k" para que haja um equílibrio com a palavra original "magic" de apenas cinco letras, equilibrando o hexagrama e o pentagrama. 6 + 5 = 11, "o número geral da mágicka, ou energia que tende a mudar", como ele afirmou em seu livro, 777). Também foram retiradas idéias dos Cavaleiros Templários, suas experiências com os mais diversos tipos de drogas e seu estudo meticuloso do tarô e religiões.
Um de seus livros mais notáveis é o Livro da Lei, onde estão presentes suas famosas frases: "Faze o que tu queres deverá ser o todo da lei." e "Amor é a lei, amor sob vontade."
Vale notar também que diferente do que a grande maioria pensa, Crowley não era um satanista e nem praticava magia negra.

Crowley passou os últimos anos de sua vida entrando e saindo de tribunais, dando entrada em ações por difamações ou se defendendo de ações contra ele. Em dezembro de 1947, após sofrer um ataque cardíaco, ele foi atendido por um médico em uma pensão barata em Hastings. Diz-se que ele começou a gritar por morfina e o médico recusou seu pedido, com raiva Crowley gritou: "Me dê morfina ou você morre em 24 horas!", o médico continuou recusando. Crowley morreu algumas horas depois com lágrimas nos olhos aos 72 anos de idade. No dia seguinte morreu o médico.

No heavy metal, talvez a música mais famosa envolvendo Crowley seja a canção presente no álbum Blizzard of Ozz de Ozzy Osbourne chamada Mr. Crowley, que Ozzy escreveu após ler algumas obras do ocultista.
Na música Quicksand de David Bowie há trechos citando Crowley como por exemplo: "mais próximo da Aurora Dourada, imerso no uniforme imagético de Crowley."
Crowley é também uma das figuras que aparecem na capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles.

Há também nomes de álbuns inspirados nele como o clássico do Celtic Frost, To Mega Therion, que era um dos vários pseudônimos de Crowley que significa A Grande Besta, e Thelema 6 do Behemoth, ao qual se refere à uma doutrina religiosa elaborada por Crowley.
No Brasil temos Raul Seixas, seguidor e divulgador de Crowley algumas de suas músicas inspiradas no ocultista e em Thelema são: Sociedade Alternativa, Novo Aeon e Loteria de Babilônia.

Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, sempre foi um fanático e seguidor das idéias de Crowley, tanto que na fita master do Led Zeppelin III está presente a frase "Faze o que tu queres deverá ser o todo da lei." Page também é um grande possuidor de itens que pertenceram a Crowley como seu diário pessoal e sua antiga casa na Escócia, chamada Boleskine House, onde praticava rituais de ocultismo. Sting compôs uma música chamada Sychronity II e fala sobre acontecimentos estranhos ocorridos na Boleskine House quando Page era o dono.
Além disso Page possuia uma loja voltada para o ocultismo chamada Equinox, referência à uma das obras de Crowley, e os famosos quatros símbolos do Led Zeppelin foram todos inspirados em símbolos do oculto, ao qual Page sempre estudou e praticou.

Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, é também outro estudioso da obra de Crowley desde sua adolescência, músicas como Moonchild e Seventh Son of a Seventh Son do Iron Maiden e Man Of Sorrow de seu trabalho solo foram inspiradas no mesmo. Dickinson também dirigiu o filme Chemical Wedding, que conta a história de um professor que é possuído pelo espírito do ocultista.

A lista de artistas que se inspiram na obra de Aleister Crowley é bastante longa, para não extender a matéria ainda mais separamos abaixo algumas músicas que tiveram ele como fonte de inspiração:


MusicPlaylistRingtones

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fábrica de clássicos



Por Gabriel Albuquerque

Criads em 1931, pela EMI, o estúdio Abbey Road alcançu, merecidamente, o título de estúdio mais famoso do mundo. Boa parcela de sua fama pode ser atribuída aos lendários clássicos dos Beatles e a gravação da música All You Need Is Love, primeira transmissão via-satélite mundial, em 1967, feitos no prédio.

Mas Abbey Road não vive só de Fab Four, nomes fortes da música britânica, e mundial no prédio da EMI. Depois dos Beatles, o Pink Floyd é o exemplo mais conhecido de banda com clássicos gravados no Abbey Road. Por lá, eles gravaram Wish You Were Here; Dark Side Of The Moon e seu disco de estréia, The Piper Gates At Dawn, ainda com Syd Barret no comando do grupo.

Entre outros figurões que fincaram sua marca no prédio, temos Alan Parsons, com os discos Tales Of Mystery And Imagination e I Robot. O Camel, com o conceitual Nude; e o Elvis inglês, Cliff Richard´s, que gravou boa parte de seus discos no Abbey Road.


Com todo esse clima de ''Classic Albuns'', bandas grandes dos anos 90, que eram da EMI, também quiseram entrar no estúdio lendário, e assun foi com o Oasis, que gravou o álbum Be Here Now; e com o Radiohead, que gravou The Bends e as seções de cordas para o seu disco mais famoso e aclamado pela crítica, O.K. Computer. Em 2000, o Radiohead volta à esse mesmo estúdio e grava o disco Kid A, e o Oasis volta para gravar Dig Out Our Souls.



Na década passada, entraram nomes com mais admiração e respeito dos rockers no Abbey Road. O U2 gravou duas músicas inéditas para a coletânea 18 Singles; Nightwish chegou para fazer o Dark Passion Play, e David Guilmor re-lembrou os tempos de Pink Floyd no Abbey Road e saiu de lá com o seu melhor disco solo: On A Island.

Hoje, Abbey Road é ponto turístico de Londres e destino certo de beatlemaníacos, que imitam a pose dos Fab Four, deixando os motoristas irritados e usando as suas buzinas ao máximo.




Para saber mais sobre os esúdios Abbey Road, acesse o site oficial, que contém uma câmera 24 horas ao vivo para todo mundo ver pela internet: http://www.abbeyroad.com/

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Firewind - Days of Defiance [Review]

Nota: 8

Com uma atenção muito maior em cima deste lançamento - obviamente pelo fato do guitarrista e líder da banda, Gus G, recentemente ter substituído Zakk Wylde na banda de Ozzy Osbourne - os gregos do Firewind retornam com o seu mais novo álbum: Days Of Defiance.

Aqueles que esperavam alguma mudança maior na sonoridade da banda, principalmente em relação aos dois últimos álbuns, ficarãos decepcionados. Days of Defiance apresenta poucas idéias que a banda não tenha explorado anteriormente, é um álbum do Firewind que soa apenas como um álbum do Firewind. Porém não pense que é um trabalho ruim, muito pelo contrário, não há nenhuma faixa que possa realmente ser chamada de ruim, são todas músicas muito boas, nenhuma realmente espetacular, mas que ainda sim resultam em um álbum bastante sólido que sem dúvidas alguma agradará a grande maioria dos fãs.

No geral, a maioria das músicas são bastante agressivas onde o peso da guitarra predomina, evidente logo nas duas faixas que abrem o disco: The Ark of Lies e World On Fire (confira o clipe da música aqui) seguidas de Chariot e Embrace The Sun, ambas são bastante cativantes. Mesmo com o peso ainda há espaço para a balada Broken e faixas mais melódicas como Heading For The Dawn.
Vale a pena destacar também The Yearning, ponto alto do disco, Losing Faith e a instrumental SKG com uma espécie de duelo entre Gus G. e o tecladista Bob Katsionis, ambos músicos de técnica apuradíssima e, ao lado do vocalista Apollo Papathanasio, são as peças chave para que a banda funcione da maneira presente neste álbum.

No fim das contas Days of Defiance é mais um bom acréscimo na discografia do Firewind, banda que aos poucos vai se tornando a banda de heavy metal grega com maior destaque no exterior. Felizmente aqueles que imaginaram que Gus G. deixaria a banda em segundo plano devido ao seu trabalho com Ozzy se enganaram, o que temos aqui é a banda ainda mais confiante do que antes. Se os trabalhos anteriores da banda lhe agradaram, vá em frente e ouça o álbum sem hesitar.
Tracklist:

1. The Ark Of Lies
2. World On Fire
3. Chariot
4. Embrace The Sun
5. The Departure
6. Heading For The Dawn
7. Broken
8. Cold As Ice
9. Kill In The Name Of Love
10. SKG
11. Losing Faith
12. The Yearning
13. When All Is Said And Done

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Álbum da Semana: Death Walks Behind You - Atomic Rooster

Mais lembrado por ter tido Carl Palmer em sua primeira formação, com a qual lançou um álbum autointitulado em dezembro de 1969, antes de o baterista formar o ELP com Greg Lake e Keith Emerson, o Atomic Rooster, power-trio inglês liderado pelo tecladista Vincent Crane e um dos pioneiros do progressive hard rock, lançou em 1970 um dos álbuns mais obscuros daquela época, Death Walks Behind You.

A faixa-título que abre o álbum é sensacional. Com uma introdução de teclado com uma atmosfera bem sinistra, a canção é cheia de mudanças de andamento e tem um clima bem obscuro. VUG é uma incrível música instrumental, onde o grande destaque fica para Vincent Crane, assim como Gershatzer, que também mostra todo o talento e criatividade do tecladista. Vale destacar também a atuação de Paul Hammond na bateria nessa canção.

Com um som cativante e pesado, repleto de climas sombrios e letras que falam basicamente do capeta e da morte, Death Walks Behind You é um disco de hard prog bem voltado para os órgãos hammond de Crane, mas sem esquecer da guitarra do vocalista John Du Cann, com linhas simples, mas com riffs repetitivos e com bastante peso, e praticamente sem solos, com exceção de Sleeping For Years, além do bom trabalho de Paul Hammond na batera.

Crane consegue preencher perfeitamente a falta de um baixista na banda, em todas as músicas. Quando se ouve o disco, podemos pensar até que seria desnecessário ter um. Pra quem gosta de um hard rock setentista obscuro e quase macabro, vale a pena e, talvez, seja até obrigatório dar uma conferida neste excelente disco.


Tracklist:

1 - Death Walks Behind You
2 - VUG
3 - Tomorrow Night
4 - Seven Lonely Streets
5 - Sleeping for Years
6 - I Can't Take No More
7 - Nobody Else
8 - Gershatzer

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Halford - Made Of Metal [Review]

O que precisa ser dito sobre Rob Halford? Acredito que não há nenhum headbanger que nunca tenha ouvido falar do Metal God ou que não tenha o mínimo de respeito por ele.
Halford IV: Made Of Metal é o mais novo álbum de estúdio de sua banda, Halford.

O que temos aqui é um álbum variado, porém sem deixar de soar acessível e onde, como de costume, a ênfase é dada aos vocais de Rob Halford e ao peso das guitarras.

O disco começa agressivo com as faixas Undisputed e Fire And Ice. A primeira soa mais tradicional e é carregada pelas guitarras de Roy Z e Mike Chlasciak, já a segunda tem um clima meio power metal, devido pricipalmente a levada de bateria de Bobby Jarzombek.

A faixa-título, e também o single do álbum, possui alguns vocais com sintetizadores e apesar do ritmo e refrão grudentos não chega a ser um dos destaques, assim como Like There's No Tomorrow que passa um pouco mais despercebida em relação às outras músicas. Porém isto não vale para a faixa que está no meio das duas, Speed Of Sound, outro bom momento em Made of Metal.

'Till The Day I Die é bastante interessante pelos elementos country no meio de todo o peso, Rob canta com timbres muito bons nesta música.
Após as mais cadenciadas We Own The Night e Heartless, sendo a primeira um pouco mais melódica, o peso volta em Hell Razor seguida de Thunder And Lightning com um clima mais glam.

A balada Twenty-Five Years, que fala sobre os 25 anos que o vocalista está sóbrio, é onde Rob executa os vocais mais cheios de 'feeling' do álbum.
Na sequência temos Matador, uma boa música com um groove bacana e uma bateria mais agressiva no refrão, porém a letra não é tão boa quanto o resto da música. Aliás, as letras são um dos pontos fracos do álbum, são todas bastante pessoais que revelam bastante sobre a personalidade e interesses de Rob Haldord, porém touradas, boxe e corridas de NASCAR de fato não geram as melhores letras.

A melódica I Know We Stand A Chance traz alguns elementos que não foram utilizados nas outras músicas do álbum, porém é uma faixa pouco marcante. The Mower encerra o álbum, a única em que Rob canta com seu timbre agudo e característico que o consagrou.

No geral, Made Of Metal é um álbum muito bom, não é perfeito, mas ainda sim merece destaque. As linhas vocais, como já esperado, são ótimas assim como os solos e riffs de guitarras.
É um trabalho que com certeza deixará uma grande parte dos fãs de heavy metal e dos trabalhos anteriores do músico, seja no Judas Priest ou no Halford, bastante satisfeitos.
Encerro esta resenha apenas desejando boa sorte para aqueles que forem ouvir o álbum pela primeira vez conseguirem tirar o refrão de Made Of Metal da cabeça (eu ainda não consegui).

Tracklist:

01. Undisputed
02. Fire and Ice
03. Made of Metal
04. Speed of Sound
05. Like There’s No Tomorrow
06. Till the Day I Die
07. We Own the Night
08. Heartless
09. Hell Razor
10. Thunder and Lightning
11. Twenty-Five Years
12. Matador
13. I Know We Stand a Chance
14. The Mower
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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Álbum da Semana - The Whirlwind - Transatlantic

O Transatlantic é uma banda de rock progressivo fundada em 1999 pelo ex-baterista do Dream Theater, Mike Portnoy e o ex-vocalista/tecladista do Spock's Beard, Neal Morse. Também foram recrutados para completar o line-up Pete Trewas, baixista do Marillion, e Roine Stolt do The Flower Kings.

A banda havia lançado dois álbuns, SMPT:e (2000) e Bridge Across Forever (2001), porém em 2002 a banda terminou devido à outros projetos de Neal Morse, que recentemente havia deixado o Spock's Beard.
Em 2009 a banda anunciou que retomaria suas atividades e no mesmo ano lançaram The Whirlwind, álbum mais recente do grupo até o atual momento.

The Whirlwind é diferente dos álbuns anteriores do Transatlantic por um motivo: ele possuí apenas uma música. A faixa homônima possui 77:54 minutos de duração. Calma, não há motivo de desespero para aqueles que não quiserem encarar a música megalomaníaca inteira de uma só vez, pois The Whirlwind é dividida em 12 partes, porém a música funciona muito melhor quando ouvida inteira.

Neste disco há tudo o que se espera de um bom álbum de rock progressivo: ótima musicalidade, ótimas composições, ótima produção, e como podemos perceber pelo line-up, ótimos músicos.
Há uma química muito boa entre os músicos e as novas idéias apresentadas neste disco funcionam muito bem. Apesar da duração da música, ela flui perfeitamente bem sendo que em alguns momentos a mudança de um de seus subtemas para o outro é imperceptível.
Não é qualquer banda que consegue fazer uma música de 78 minutos soar tão bem estruturada e coerente. Para os apreciadores do bom rock progressivo, vale a pena conferir o trabalho da banda.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Álbum da Semana: The Metal Opera - Avantasia

Figurando facilmente em qualquer lista com os melhores álbuns de power metal de todos os tempos, The Metal Opera é o álbum que lança o Avantasia ao mundo. Avantasia é um projeto criado por Tobias Sammet, e começou a tomar forma em 1999, durante uma turnê do Edguy - banda de Sammet - para promover o álbum Theater of Salvation, quando Sammet começou a trabalhar a ideia de uma opera metálica conceitual com a participação de músicos covidados. O nome do projeto é a junção das palvras "avalon" (terra mística nas histórias do Rei Arthur) e "fantasia".

É claro que apenas a simples reunião de grandes músicos não resulta num bom trabalho. As composições, arranjos, melodias e a história são sensacionais, com mérito quase total para Tobias Sammet, que compôs todo o material do disco, e também soube escolher as pessoas certas.

Os nomes que participam de The Metal Opera são acima de qualquer suspeita. Tem Henjo Richter, do Gamma Ray nas guitarras; Markus Grosskopf, do Helloween, no baixo e, na bateria, Alex Holzwarth, do Rhapsody Of Fire, além das participações de Jens Ludwig, do Edguy, que faz os solos em Sign of the Cross e The Tower; Norman Meiritz, responsável pelo violão em Farewell e Frank Tischer, piano em Inside.

E isso sem falar no vocalistas convidados. Temos Michael Kiske, lendário vocalista do Helloween participando em cinco faixas do álbum: Reach Out for the Light, Breaking Away, Farewell, Avantasia e The Tower; David DeFeis, do Virgin Steele, solta a voz em Serpents Of Paradise; Sharon den Adel, do Within Temptation, canta com sua doce voz em Farewell; Kai Hansen aparece em Sign of the Cross e The Tower, que também tem Timo Tolkki relembrando os tempos de vocalista do Stratovarius. Isso sem contar as participações de Rob Rock e Oliver Hatmann. E ainda tem Andre Matos, ex-Angra, numa atuação brilhante em Inside.

The Metal Opera está entre os melhores discos não só do heavy metal melódico, ou power metal, mas também do Metal em geral. Como já disse, o álbum não seria brilhante com todas essas participações se não tivesse grandes composições. Tobias Sammet conseguiu conceber um álbum clássico, com composições envolventes, cativantes, empolgantes. Difícil alguém gostar de power metal e nunca ter ouvido este disco, mas pra quem ainda ouviu muito do estilo, é uma ótima oportunidade baixar este disco e começar a ouvir.


Tracklist:

1 - Prelude
2 - Reach Out for the Light
3 - Serpents in Paradise
4 -Malleus Maleficarum
5 - Breaking Away
6 - Farewell
7 - The Glory of Rome
8 - In Nomine Patris
9 - Avantasia
10 - A New Dimension
11 - Inside
12 - Sign of the Cross
13 - The Tower

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Black Country Communion - Black Country [Review]

Black Country Communion é o mais novo supergrupo que surgiu em 2010, a banda é formada por: Glenn Hughes (Deep Purple, Black Sabbath, Trapeze), Joe Bonamassa, Derek Sherinian (Dream Theater, Yngwie Malmsteen, Planet X) e Jason Bonham, filho do lendário John Bonham.
Black Country é o álbum de estréia da banda e recentemente alcançou o primeiro lugar nas paradas da BBC Rock Charts.

Black Country também é o nome da faixa que abre o disco. Uma música bastante agitada com uma percussão sólida e linha de baixo forte, Joe Bonamassa faz um bom solo, mas é Glenn Hughes quem se destaca, mostrando porque é conhecido como The Voice Of Rock.
One Last Soul é o primeiro single do grupo e já deve ter sido ouvido pela maioria, já que foi disponibilizado para download gratuitamente no site da banda. Apesar de parecer uma das músicas mais simples do álbum ela não deixa de ser ótima, o mais difícil é conseguir tirar o refrão grudento da cabeça depois de ouvi-la.

The Great Divide é um dos pontos altos do disco. Bonamassa executa um fraseado muito bom com um toque mais jazzista em certos momentos, Jason Bonham e Derek Sherinian também acompanham muito bem a música que é uma vitrine perfeita para o alcance vocal de Hughes.

Após três faixas de grande qualidade temos Down Again, que não chega a ser uma música completamente ruim, possui bons versos, mas se perde no refrão. Beggarman tem uma das letras mais simples, porém é difícil resistir à pegada da música principalmente com Jason Bonham descendo a lenha na bateria.

A sexta faixa, Song Of Yesterday, é o grande momento do álbum. Nela Bonamassa e Hughes alternam os vocais. A harmonia entre os instrumentos é excelente, com versos melódicos e um refrão mais pesado. O melhor solo de Joe Bonamassa em Black Country está nesta faixa. Derek Sherinian também é essencial para criar a atmosfera presente na música.

No Time, outra faixa com ritmo bastante cativante, é seguida por Medusa, canção clássica do Trapeze. Todos sabemos que se trata de uma música incrível, porém talvez tenha sido um pouco desnecessária, pois não há mais nada em especial ver Glenn Hughes cantando a música em vários dos projetos que participa nos últimos 40 anos.
Bonamassa assume os vocais em The Revolution In Me e executa bons solos com uma pegada mais blues rock.

Stand (At The Burning Tree) dá espaço para todos os membros da banda mostrarem o que sabem fazer em seus respecticos intrumentos, também temos o primeiro solo de Derek Sherinian em todo o álbum. Se formos apontar os pontos negativos do álbum a falta de espaço para Derek Sherinian é um deles, pois além de poucos solos o músico também soa bastante discreto em boa parte das músicas, deixando de mostrar todo o virtuosismo que possui.
Sista Jane é outra ótima faixa onde Hughes e Bonamassa dividem os vocais, possui também um bom refrão.
Too Late For The Sun com seus quase 12 minutos de duração encerra o álbum. Esta música com certeza será um dos principais pontos dos shows ao vivo devido à sua jam no final, gravada em apenas um take, que dá grande liberdade para improvisação.

Em Black Country podemos sentir uma química muito boa entre os integrantes, mesmo com alguns deles nunca tendo tocado juntos antes (Derek Sherinian nunca tinha ouvido nenhum trabalho de Joe Bonamassa até eles tocarem juntos). Apesar de não trazer nada extremamente original em relação aos outros projetos dos músicos envolvidos, Black Country é um ótimo disco.
Com essa avalanche dos chamados supergrupos que temos visto nos últimos anos, o Black Country Communion consegue se destacar entre eles com um debut de qualidade.
Se você é interessado em classic/hard rock vá em frente e ouça o álbum!
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Álbum da Semana: Eppur Si Muove - Haggard

Haggard é uma banda alemã de Classic Medieval Metal (mistura de música erudita com folk e death metal) formada em 1991, liderada pelo iraniano Asis Nasseri. A banda é originalmente de death metal e lançou dois singles nesse estilo, Introduction, em 1992, e Progressive, em 1994. Em 1995 a banda lançou outro single, Once… Upon A December's Dawn, já mostrando a mistura do folk com música clássica e metal extremo que tornou banda famosa, e em 2000 a banda se consolida de vez no cenário do Metal com Awaking The Centuries.

Dentre trocas constantes de mais de uma dezena de membros, a banda lança em 2004 a sua obra-prima, o conceitual Eppur Si Muove. Entre dez faixas do mais puro metal sinfônico, o álbum narra a história da vida e perspectiva científica do filósofo, matemático e astrônomo Galileu Galilei, que foi condenado pela Santa Inquisisição por conta de seus conceitos avançados para a época. Ele achava que a Terra girava em torno do Sol, o que era um absurdo na época. "Eppur si muove" (ainda se move) é a frase que Galileu teria supostamente dito ao renunciar suas convicções, para não ser executado.

Pode não ser tão nova a ideia de misturar o metal com elementos da música clássica, mas o Haggard faz isso com maestria. A música clássica se torna muito mais que um mero acréscimo, sendo até mais presente que o metal, sendo imprescindível a presença de instrumentos clássicos, como violinos, oboés, etc. Além disso, a banda explora o tema de forma muito inteligente, cantando em 4 idiomas diferentes (inglês, italiano, latim e alemão), alternando entre vocais líricos, épicos e os incríveis guturais de Asis Nasseri, e também tem os já citados instrumentos clássicos, fazendo um som que nos atinge intensamente e nos leva, literalmente, a uma viagem ao passado, tornando inesquecível a experiência de ouvir a banda.

Apesar de ser difícil apontar destaques neste álbum, algumas faixas se sobressaem: a emocionante Herr Mannelig, com lindos vocais líricos femininos; Of A Might Divine, que tem passagens clássicas que remetem muito ao período da história narrada pelo álbum; a faixa-título, Eppur Si Muove, que tem uma boa sincronia entre os guturais de Nasseri e os líricos femininos; e Per Aspera Ad Astra, o destaque do álbum, com exclelentes alternâncias entre as passagens mais pesadas e as s clássicas, e também entre os vocais líricos femino e masculino e o gutural de Nasseri, e tem até um solinho de guitarra no final.

Eppur Si Muove mostra a banda em sua melhor forma. Sem nenhuma dúvida, posso dizer que ninguém funde com tanta perfeição a música clássica com o metal como o Haggard. E o fato de a banda ter mais de 15 integrantes ajuda muito na música que ela se propõe a fazer, a banda não precisa de uma orquestra, a banda é uma orquestra em si, uma banda única, original, dificilmente alguém imaginaria um som como o que a banda faz.

Enfim, não preciso dizer mais nada, Epuur Si Muove é uma ótima pedida pra quem curte symphonic metal e um som original e muito bem elaborado.

Tracklist:

01 - All’Inizio È La Morte
02 - Menuetto In Fa-Minore
03 - Per Aspera Ad Astra
04 - Of A Might Divine
05 - Gavotta In Si-Minore
06 - Herr Mannelig
07 - The Observer
08 - Eppur Si Muove
09 - Larghetto/Epilogo Adagio
10 - Herr Mannelig (Short Version)

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Álbum da Semana: Moribund - Every Kingdom Has To Pass - 7 Seals

7 Seals é uma banda de Power/Symphonic Metal da Alemanha, formada em 2005. Logo que a banda foi formada, lançaram uma demo no mesmo ano, chamada Mooncurse, e receberam reviews positivos e muitos elogios, que renderam em shows pela Alemanha, com performances numerosas.

Depois de um trabalho árduo, em 2008 a banda lançou seu debut, o conceitual Moribund - Every Kingdom Has To Pass. O álbum fala sobre A Canção dos Nibelungos (em alemão Das Nibelungenlied), um poema épico escrito na idade média. O poema, que tem como tema a mitologia nórdica/germânica, fala sobre a viagem que Siegfried, famoso cavaleiro matador de dragões, fez à corte dos burgúndios, suas aventuras para conseguir a mão da bela princesa Kriemhild e sua morte por traição, e a terrível vingança arquitetada por Kriemhild para vingar a morte do amado.

O álbum tem uma produção excelente, o que realça ainda mais a qualidade da banda. Os vocais também estão ótimos, tanto o masculino, de Markus Wagner, que tem uma voz grave, o que não estamos muito acostumados a ver em bandas desse estilo, quanto o feminino, feito pela convidada Sabrina Grochocki, da banda Stormgarde. O disco é "decentemente" longo (pouco mais de 60 minutos), mas possui boas viradas e é muito consistente. O instrumental é excelente, tem um toque épico, riffs cativantes, bons solos, é bem estruturado, e tem boas variações entre as músicas mais rápidas e as lentas. O álbum não tem faixas que se destacam, talvez a 2ª faixa, Onward To forests Wild & Free , mas também não tem faixas ruins, sendo constantemente forte e muito bom como um todo.

Enfim, o 7 Seals tem todos os ingredientes para se tornar uma banda de alto escalão dentro do metal, e isso se reflete bem neste excelente disco. Com toda certeza, é um bom disco, e  altamente recomendado para o os fãs de power/symphonic metal.


Tracklist:

1. Prologue - Birth of a legend 01:27
2. Onward to forests wild & free - Leaving hearth and home behind
3. Treasure of the elder - How Balmung was achieved
4. Unforeseen alliance - United against the Danes
5. The isle of fire & ice - Taming of the valkyrie
6. Fortune & deceit - Twain marriages and the betrayal
7. Prelude to Perdition - Wie Sifrit verraten wart
8. A fateful conspiracy - As fate decends on Sifrit
9. Farewell - Kriemhilt's elegy
10. A gift to the nymph - How Hagen seized the hoard
11. The fierce king of the Huns - Twelve realms bestowed
12. Moribund - Every Kingdom has to pass
13. Epilogue - Withering of a dynasty

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domingo, 26 de setembro de 2010

Review: Robert Plant - Band Of Joy


Depois de se juntar a Alison Krauss para gravar o premiado Raising Sand (ganhou 5 prêmios no Grammy Awards de 2009) Robert Plant decidiu revitalizar o Band Of Joy (banda dos anos 60 no qual John Bonham e Plant faziam parte antes de irem para o Led Zeppelin), mas parece ter sido só uma homenagem a antiga banda. O novo álbum segue a linha do último, os músicos que integram a banda são conhecidos na cena folk americana (dentre eles Buddy Miller, que participou do álbum com Alison Krauss). Não tem muito a ver com o rock dos anos 60, mas talvez um pouco do country/folk dos discos do Led Zeppelin, como o Led Zeppelin III, que tem muito folk em suas influências. Nota-se bem isso em músicas como "Tangerine" e "Gallows Pole", que, inclusive, são resgatadas por Plant nos shows da nova Band Of Joy, bem "Nobody Faults But Mine", do Presence.

Plant não regravou nenhuma canção de sua antiga banda para o disco, que tem um repertório meio obscuro. A faixa que abre o disco é um cover da banda Los Lobos, "Angel Dance". Não veremos nada de muito diferente dessa faixa no restante do disco, que segue com "House Of Cards", uma música de Richard Thompson, um importante músico britânico folk dos anos 60 e 70. Plant resgatou a música de maneira bem inteligente, e a guitarra de Buddy Miller ganha um certo destaque.

"Central Two O Nine" é a faixa mais curta do disco, com 2:46. É uma música simples e com uma levada gostosa. Boa pra relaxar. Aliás, todo o disco tem músicas assim. A próxima faixa é "Silver Rider", um cover da banda de indie rock Low. A tendência folk do rock do grupo se encaixou bem com a proposta de Plant. A música, que tem boas guitarras, é mais lenta, até meio melancólica e tem uma boa parceria de Plant com Patty Griffin nos vocais

"You Can't buy My Love" é a mais animada do disco. Foi gravada, inicialmente, por Barbara Lynn em 1965. É um "rockzinho" mais puro e cru e contrasta bem com a faixa anterior. A faixa também pode ser vista como um recado para aqueles que não entederam sua decisão de não se reunir com o Led Zeppelin para uma série de shows, quando alguns executivos da música chegaram a oferecer mais de 200 milhões à Plant; "Vocês não podem comprar meu amor". "I'm Falling In Love Again" é uma balada melosa e um pouco arrastada, apesar de seus apenas 3:32. "The Only Sound That Matters" é outra regravação do disco. Essa é de Milton Mapes, um cantor country americano. Plant deixa a música bem mais agitada.

"Monkey" é outro cover da banda Low. Plant canta ela de forma bem introspectiva, quase aos sussurros, dando um tom bastante sombrio. "Cindy, I'll Marry You Someday" é uma música tradicional do folk americano. A sombria "Harm's Swift Way" é outro cover, dessa vez de Townes Van Zandt, outro gigante da música folk americana. "Satan, Your Kingdom Must Come Down" é outra música tradicional, numa versão meio blues. Pode ser um tanto irônico ver Plant, que foi acusado inúmeras vezes de satanismo na época do Led Zeppelin, cantado "I gonna pray until they tear your kingdom down, I gonna shout until they tear your kingdom down, Satan youur kingdom must come down". "Even This Shall Pass Away" encerra o disco, é uma faixa com um interessante experimentalismo pop.

Plant é um amante da musicalidade, e a forma como ele trata seus discos deixa seu intimismo bem a mostra. Cada canção mostra uma característica pessoal. Hoje, podemos dizer que ele pode gravar o que tiver vontade. Ele já deixou o seu legado para o rock n' roll e não precisa provar nada a ninguém. Os roqueiros mais radicais podem discordar disso, ou até achar que isso não é bom, mas dá gosto de ver que, apesar de o tempo ter passado, Plant não envelheceu musicalmente. Pelo contrário, se habituou e se modernizou e continua firme e forte. E prova disso é esse Band Of Joy. Plant pesca pérolas de artistas de décadas passadas e as regrava da sua maneira, transformando-as completamente. Basicamente é isso o que ele faz desde o Honeydrippers Volume 1, e em Band Of Joy ainda se nota uma musicalidade mais folk, e até um pouco gospel. Como fã do Led Zeppelin, gostaria muito que a banda se reunisse, mas, com toda essa musicalidade viva dentro de Plant, seria muita tolice subir aos palcos para fazer shows em reuniões nostálgicas que raramente cumprem as expectativas (mas espero que ainda se reunam). Enfim, Band Of Joy é um disco recomendadíssimo para os "roqueiros cansados" e também para ouvidos livres e sem preconceitos. E se bobear, vem mais Grammy por aí.

Tracklist:
01 - Angel Dance
02 - House of Cards
03 - Central Two O Nine
04 - Silver Rider
05 - You Can’t Buy My Love
06 - Falling in Love Again
07 - The Only Sound That Matters
08. Monkey
09 - Get Along Home Cindy
10 - Harms Swift Way
11 - Satan Your Kingdom Must Come Down
12 - Even This Shall Pass Away

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