Karina Buhr no Recife

Cantora celebra o auge com show vibrante em Recife

Entrevista: Into The Void

Em entrevista ao Metropolis Music, os americanos do Into The Void falam sobre seu novo álbum, a cena Metal da região, o processo de criação de seus clipes e muito mais

Pérola perdida

Funk, Prog e Jazz com os africanos do Demon Fuzz

Band of Skulls

"Sweet Sour apresenta o trio ainda mais flexível, partindo de canções puramente densas à composições com toda a sutileza do folk."

Leonard Cohen

"As velhas ideias deste senhor ainda são muito superiores à várias novas sensações do cenário musical."

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Review: Chemical Brothers - Don't Think


Por Gabriel Albuquerque

Por si só, Don't Think, o filme-concerto e primeira superprodução visual da veterana dupla eletrônica Chemical Brothers já seria aguardado com certa empolgaç!ao. Formado pelos DJ's Tom Rowlands e Ed Simons, o conjunto sempre investiu pesado em seu visual, criando verdadeiros clássicos em forma de vídeo clipe. Mas Don't Think tem um brilho. Com direção do amigo Adam Smith (que também fez o elogiado vídeo de ''Galvanize'', de 2005), o filme objetiva mostrar uma apresentação da banda sob a perspectiva do público; mostrar como é estar num show do Chemical Brothers, uma dos nomes mais importântes do gêneros e precursor do Big Beat, ao lado de Fatboy Slim

O filme, exibido pela rede de cinemas UCI, capta a performance do grupo no Fuji Rock Festival, no Japão em 2001, com 22 câmeras de alta definição espalhadas pelo palco e pela platéia. Ao longo de seus 90 minutos, acompanhamos as animações psicodélicas, surreais, por vezes tensas, do telão; um show de luzes frenético em perfeito sincronismo com as batidas; e o mais curioso: as reações(euforia, gritos, bocas abertas, surpresas, êxtase) de determinados expectadores em meio à platéia gigantesca de 50 mil pessoas.

Ainda que alguns expectadores se levantem da cadeira e fiquem dançando em frente à tela, Don't Think não chega de fato a nos inserir naquele show do Chemical Brothers. afinal de contas, ainda estamos presos na sala de cinema. Mas ele nos dá uma noção de como é grandioso e um breve panorama da sensação de pertencer ao espetáculo do Chemical Brothers. Seu jogo de imagens e sons é extremamente poderoso e chega a nos deixar em estado de transe por alguns momentos. Uma experiência sensorial que prova que a música eletrônica vai além daquele bate-estaca repetitivo e também pode mexer com o coração e a mente humana.

Nota 9,0:



sábado, 12 de novembro de 2011

Review: Rock Brasília


Por Gabriel Albuquerque

Capitaneados por Chico e Caetano, a massa artística dos anos 1960 liderou um grande movimento contra o regime militar. Mas na década de 1980, a MPB já tinha passado por diversas transformações a ponto de ter excluido uma boa parte de sua característica crítica. Os artistas envelheceram e se acomodaram no esquema manjado e sem expressão do banquinho e violão - o que perdura até hoje.

Enquanto a MPB se esfacelava na mesmice, surgia uma no punk rock geração de músicos anárquicos, e que começou a fazer críticas ferozes à ditadura instalada no país. Dirigido pelo veterano Vladimir Carvalho, Rock Brasília - A Era de Ouro busca recriar a cena roqueira da capital brasileira com as histórias de seus principais heróis: Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana.

O documentário dá foco às entrevistas com pessoas que estiveram de certa forma envolvida com a música da capital. Vladimir conversa não só com Phillipe Seabra (Plebe Rude), Bi Ribeiro (Paralamas do Sucesso), Dinho Ouro Preto, Flávio e Fê Lemos (Capital Inicial), Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), mas também recolhe depoimentos do familiares. Caetano Veloso, cujo programa em parceria com Chico Buarque na Rede Globo recebeu um show do Legião Urbana, também participa. Mas a pedra fundamental é mesmo o biógrafo Carlos Marcelo. É ele quem disseca o show caótico do Legião Urbana no estádio Mané Garrincha, em 1998, onde, entre outras confusões, um fã subiu no palco e tentou estrangular o vocalista Renato Russo.

Foram selecionadas muitas gravações raras e imagens dos primórdios das bandas. Contudo, Rock Brasília se mostra bastante superficial. O longa fica preso em bolha que se restringe exclusivamente a Brasília, ignorando todas as suas influências. Em diversos momentos os músicos citam o movimento punk da inglaterra, mas o diretor não estabelece nenhuma ligação com essas bandas britanicas ou com o cenário musical dos demais estados brasileiros, dando a sensação de que o rock de brasília era a única expressão musical daquela época.

Mesmo que a intenção seja restringir-se ao cenário de Brasília, o documentário é falho. A trama engessa ao ficar apenas na tríada mais famosa do rock brasiliense, ignorando grupos menores como Distrito Federal e Finis Africae, que também ajudaram a pavimentar a cena e influenciaram outros jovens Brasil à fora. Também não discursa em momento algum sobre a Fluminense FM, rádio carioca que tocou pela primeira vez as bandas da Cidade Planejada.

O filme chega ao fim e não se tem nenhuma conclusão de como as bandas de brasilia alteraram os padroes da música brasileira ou o que as distinguia dos demais conjuntos de rock do país. Sendo assim, mesmo com algumas bons contos, Rock Brasília - A Era de Ouro é falho e demasiadamente vago, mas já é um considerável no ramo de documentários musicais brasileiros que ainda dá os primeiros passos.

Nota: 7,5

domingo, 4 de setembro de 2011

Review: Santana - Supernatural Live

Por Gabriel Albuquerque

Não é o seu melhor trabalho, mas Supernatural é provavelmente o maior sucesso do legendário guitarrista Carlos Santana. O álbum recheado de participações de novos e consagrados músicos ganhou 9 prêmios Grammy e vendeu mais de 21 milhões de cópias no mundo todo.Santana, que não lançava um bom disco há alguns anos, aproveitou todo o frisson em volta do álbum e fez uma turnê que passou pela Europa e Estados Unidos, e gravou o DVD Supernatural Live no Civil Auditorium, na cidade Passadena; Califórnia.

''Supernatural Live apresenta Santana no auge de seus poderes'', diz a contra-capa. Exageros comerciais à parte, o guitarrista não está como no começo de carreira, onde fundiu R&B, rock, música latina, blues e jazz e fez uma das melhores apresentações do mítico festival de Woodstock, mas é insensatez não reconhecer que o mexicano está em ótima forma e ainda tem muita qualidade técnica.

Na primeira música, a divertida ''(Da Le) Yaleo'', Santana já bota todo o lugar para dançar. Nem mesmo as dançarinas, que ficaram meio perdidas, jogadas ao vento, conseguem estragar o bom momento.

A temperatura volta a subir no mega-hit ''Maria Maria'', onde participa a dupla de rap The Product G & B. O principal vocalista, Sincere (cujo nome verdadeiro é David McRae) vai tirando uma infinadade de casacos, jaquetas e camisas até ficar com o peito nu. E no fim, talvez para não ficar por baixo, o comparsa Money Harm desce do palco pra terminar a canção junto com a platéia. Rob Thomas, do Matchbox 20, canta ''Smoot'', outro sucesso bem recebido pelo público.

''Apache'', que traz o saxofonista e monstro sagrado do jazz Wayne Shorter, é uma ótima música instrumental, mas muito mal encaixada entre os dois hits citados acima. A mudança brusca, de um ritmo dançante para um mais lento e, de certa forma complexo, desvalorizou a canção e a sensação transmitida é puro tédio, apesar de funcionar muito bem isoladamente.

Por outro lado, a belíssima ''Angel'', com a cantora Sarah McLachlan ao piano e Santana tocando violão por cima, por ter sido executada depois de outra canção compassada (''Love of My Life'', Carter Beauford na bateria e a voz rasgada de Dave Matthews)  foi admirada com cabeça fria e corpo leve, tendo sua beleza exaltada e prontamente aplaudida de pé.

A balada  'anti-conformismo'  ''Do You Like The Way'', com a rainha do hip hop Lauryn Hill e Cee-lo Green (hoje conhecido pelo web-hit ''F*** You'', mas desconhecido na época), chama atenção com o voz emocionada de Cee-lo.

O show termina com todos juntos (com exceção de Lauryn Hill) cantando em coro o medley com ''Make Somebody Happy'', que serve de cama para Santana fazer os devidos agradecimentos a audiência a equipe e passar aquela mensagem manjada de ''o que importa é o amor'' e afins, e ''Right On Be Free''. Acabou o show, mas não o DVD.

Nos extras estão os 4 clipes do disco (''Smooth'', ''Maria Maria'', ''Corazón Espinado'' e ''Put Your Lights On'') completos,  discografia, making off, uma excelente entrevista e depoimento interessantíssimo, apesar de cansativo, do legendário guitarrista, falando, entre outros, de seu início de carreira e outros guitarristas dos anos 1960, como Jimi Hendrix.

Não há duvida: as participações especiais fizeram bem a Santana. Seu som foi refrescado e ganhou novo fôlego. No DVD não há participação do outro gigante das seis cordas Eric Clapton, mas há outras que não foram incluídas no disco, como Wayne Shorter e Sarah Mclachlan. Junte isso a extras caprichados e você tem um motivo de alegria em forma de áudio e vídeo.



Nota 8,5:


Tracklist:

01. (Da Le) Yaleo
02. Love of My Life (Dave Matthews & Carter Beauford)
03. Angel (Sarah McLachlan)
04. Put Your Lights On (Everlast)
05. Africa Bamba
06. Do You Like The Way (Lauryn Hill and Cee-Lo)
07. Migra
08. Day of Celebration
09. Victory is Won
10. Maria Maria (The Product G&B)
11. Apache (Wayne Shorter and Chester Thompson)
12. Smooth/Dame Tu Amor (Rob Thomas)
13. Gypsy Queen/Oye Coma Va
14. Make Somebody Happy/Right on Be Free (todos, exceto Lauryn Hill)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Review: O Garoto de Liverpool

Por Gabriel Albuquerque 

Existem centenas de filmes sobre os Beatles e mais um punhado sobre John Lennon. Logo, o maior obstáculo para as novas produções sobre o fab four ou algum de seus membros é apresentar algo novo, pouco comentado ou desconhecido.

Com isso, o Garoto de Liverpool (entitulado originalmente como Nowhere Boy) já sai na frente da concorrência. Com direção da estreante Sam Taylor-Wood, o longa retrata a adolescência de John Lennon, muito antes da explosão da beatlemania, que foi criado pela tia e mal conheceu o pai.

Apesar de também abordar a gênese dos Beatles e o encontro com Paul McCartney e George Harrison, o maior destaque é a vida pessoal de Lennon, com momentos decisivos, mas conhecidos apenas pelos fãs mais intensos, que iriam influenciar a sua personalidade. Assim, músicas como ''Julia'' e ''In My Life'', do Beatles e ''Mother'', de sua carreira solo, ficam mais claras, assim como a sua paixão pelo rock simples, ingênuo e juvenil dos anos 1950 (sempre presente na bem construída trilha sonora), que o levou a gravar um disco tributo em 1975, Rock n´ Roll.

O Garoto de Liverpool consegue apresentar algo novo para um assunto já repetido à exaustão. Só isso já é um mérito. Mas também ajuda a explicar um dos maiores ícones da música popular através das lembraças e sentimentos antes da fama. Além disso, também se sustenta sozinho, como um filme sem refêrencias, um drama, boa parte por causa da interpretação de Aaron Johson, que incorpora com brilhantismo o músico.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Review: The Big 4 Live From Sofia, Bulgaria (DVD)

Por Pedro Kirsten

O encontro das bandas do chamado Big Four foi aguardado por fãs da música pesada durante décadas. Para aqueles que ainda não sabem, o Big Four consiste nas quatro bandas consideradas as mais importantes da cena Thrash Metal americana, as bandas são: Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax.
No dia 22 de junho de 2010, a espera de quase 30 anos chegou ao fim, e pela primeira vez na história as quatro bandas dividiram o palco. O local escolhido para o evento foi o Sonisphere Festival, na Bulgaria.

Os shows foram transmitidos para cerca de 800 cinemas em todo o mundo e recentemente as apresentações foram lançadas em três formatos: DVD, Blu-Ray e CD.
Trataremos aqui a versão em DVD. Como são quatro shows diferentes, nada melhor que falarmos de cada um isoladamente.

Anthrax:

A trupe de Scott Ian ficou encarregada de ser a primeira a subir ao palco. No momento uma parte do público ainda não havia chegado, e aos poucos os espaços vazios nas arquibancadas do estádio do Vasil Levski foram sendo preenchidas. O ano de 2010 também marcou o retorno de Joey Belladonna à banda. Durante a apresentação ficou visível que o cantor já não tem mais o mesmo fôlego e alcance de antigamente, porém tudo foi compensado pela dedicação e presença de palco. O repertório foi repleto de clássicos como Caught In A Mosh e Madhouse, além de ter tido espaço para Only, música da época em que John Bush era o vocalista da badna. Foi durante a apresentação do Anthrax que o público se mostrou menos participativo, mesmo com uma boa parte cantando as músicas e alguns mosh-pits. Aos poucos o público foi se soltando, principalmente durante o cover de Heaven And Hell para homenagear Ronnie James Dio, porém nada comparado com os shows seguintes. Ainda sim o show do Anthrax foi digno e mostrou a capacidade de seus músicos.

Megadeth:
O Megadeth não utilizou muito do tempo disponível para interagir com os presentes, foi um petardo atrás do outro quase sem intervalos. Holy Wars...The Punishment Due abriu o show e nem a forte chuva que caia foi o suficiente para impedir a empolgação dos fãs que cantaram em uníssono músicas como A Tout Le Monde e Peace Sells. O show que se assiste no DVD só não é perfeito por um motivo: os vocais de Dave Mustaine. Não, eles não estavam ruins, mas alguns trechos foram visívelmente "maqueados" em estúdio, não tanto quanto no DVD "Rust In Peace Live", mas o suficiente para deixar os trechos modificados sem vida e soando artificiais. Fora este detalhe foi um show e setlist matador, mesmo com a ausência de Tornado of Souls.

Slayer:

O Slayer, a única das quatro bandas ainda com a formação original, não teve pena de ninguém e colocou o local à baixo com o seu peso. Após a cirurgia no pescoço, Tom Araya não está mais "bangueando", mas continua soando o mesmo. A dupla de guitarristas, Jeff Hanneman e Kerry King, se mostrou afiada em todos os momentos, assim como Dave Lombardo, um show à parte na bateria. Foram tocados clássicos como Raining Blood e Seasons in the Abyss e também músicas do álbum mais recente como Hate Worldwide e World Painted Blood.
O show do Slayer encerra o conteúdo do disco 1.

Metallica:
Ok, é fato que 99% dos fãs não gostam dos três álbuns do Metallica lançados entre 1996 e 2003, mas também é fato que a banda retornou à boa forma com o "Death Magnetic" e que ela nunca deixou a desejar ao vivo. O show começou com o tradicional vídeo de Ecstasy of Gold antes da banda abrir com Creeping Death. O setlist percorreu todos os álbuns da banda, com exceção de "Load" e "St. Anger" (que não fizeram falta nenhuma). Músicas como Fuel ainda tiveram direito a um show de efeitos pirotécnicos.
O momento histórico chegou perto do fim da apresentação quando James Hetfield convidou todos os membros das outras bandas para a execução de Am I Evil? do Diamond Head. A única banda que não estava completa durante a música era o Slayer, apenas Dave Lombardo compareceu. Foi a primeira vez desde 1983 que Dave Mustaine tocou com o Metallica, quando foi demitido da banda.
Após a jam, uma viagem no tempo até o primeiro álbum do grupo, "Kill 'em All", onde Hit The Lights e Seek & Destroy encerraram a noite.

Além do show do Metallica, o disco 2 ainda contém um mini-documentário de 45 minutos, repleto de cenas dos bastidores que ainda incluem o ensaio para Am I Evil?.
São ao todo mais de cinco horas de show e apesar de algumas pequenas falhas, nenhuma é suficiente para manchar a performance das bandas. The Big 4 Live From Sofia, Bulgaria é sem dúvidas um item essencial para a coleção dos fãs de qualquer uma das quatro bandas.

Setlist Anthrax:
1. "Caught in a Mosh"
2. "Got the Time"
3. "Madhouse"
4. "Be All, End All"
5. "Antisocial"
6. "Indians"/"Heaven & Hell"
7. "Medusa"
8. "Only"
9. "Metal Thrashing Mad"
10. "I Am the Law"

Setlist Megadeth:
1. "Holy Wars... The Punishment Due"
2. "Hangar 18"
3. "Wake Up Dead"
4. "Head Crusher"
5. "In My Darkest Hour"
6. "Skin o' My Teeth"
7. "A Tout le Monde"
8. "Hook in Mouth"
9. "Trust"
10. "Sweating Bullets"
11. "Symphony of Destruction"
12. "Peace Sells"/"Holy Wars Reprise"

Setlist Slayer:
1. "World Painted Blood"
2. "Jihad"
3. "War Ensemble"
4. "Hate Worldwide"
5. "Seasons in the Abyss"
6. "Angel of Death"
7. "Beauty Through Order"
8. "Disciple"
9. "Mandatory Suicide"
10. "Chemical Warfare"
11. "South of Heaven"
12. "Raining Blood"

Setlist Metallica:
1. "Creeping Death"
2. "For Whom the Bell Tolls"
3. "Fuel"
4. "Harvester of Sorrow"
5. "Fade to Black"
6. "That Was Just Your Life"
7. "Cyanide"
8. "Sad but True"
9. "Welcome Home (Sanitarium)"
10. "All Nightmare Long"
11. "One"
12. "Master of Puppets"
13. "Blackened"
14. "Nothing Else Matters"
15. "Enter Sandman"
16. "Am I Evil?"
17. "Hit the Lights"
18. "Seek & Destroy"

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