Karina Buhr no Recife

Cantora celebra o auge com show vibrante em Recife

Entrevista: Into The Void

Em entrevista ao Metropolis Music, os americanos do Into The Void falam sobre seu novo álbum, a cena Metal da região, o processo de criação de seus clipes e muito mais

Pérola perdida

Funk, Prog e Jazz com os africanos do Demon Fuzz

Band of Skulls

"Sweet Sour apresenta o trio ainda mais flexível, partindo de canções puramente densas à composições com toda a sutileza do folk."

Leonard Cohen

"As velhas ideias deste senhor ainda são muito superiores à várias novas sensações do cenário musical."

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Álbum da Semana: Dickey Betts & Great Southern - Dickey Betts & Great Southern

O guitarrista Dickey Betts é conhecido entre os mais aprofundados no rock americano, mas, surpreendenmente, nem sempre é lembrado como merece. O músico foi um dos fundadores do Allman Brothers Band, ao lado de Duane Allman, e era um dos principais responsáveis pelo som construído pela banda, tornando-se o líder "não-oficial" dela depois da morte de Duane em 1971 e compondo músicas como "Ramblin' Man" e "Jessica", sucessos comerciais que alavancaram as vendas Brothers and Sisters, o disco mais vendido do quinteto sulista.

Mas, então, os conflitos de ego e personalidade, fatal para qualquer banda de rock, começaram a aparecer e diversas brigas aconteceram, ocasionadas, principalmente, pelo uso de álcool e drogas. Esses conflitos resultaram no irregular Win, Lose or Draw, de 1975, último disco de Betts com o ABB. A sepação ocorreu em 1976, depois de Gregg Allman, preso por posse de drogas, concordar em testemunhar contra John "Scooter" Herring, amigo e empresário da banda, além de responsável por fornecer as drogas para os integrantes. Os demais membros consideraram isso uma traição e resolveram abandonar o barco. Chuck Leavell, Johanny Johanson e Lamar Williams formaram o Sea Level, e Dickey Betts, que já havia lançado o solo Highway Call em 1974, formou a Great Southern.

A Dickey Betts & Great Southern debutou em 1977 com um disco autointulado. Nele, Betts tenta capturar a pureza e a liberdade do southern country tradicional, combinando-a com o blues-rock da Allman Brothers Band, fazendo-o de forma muito bem-sucedida. Guitarras slide e linhas de baixo funkeadas à la New Orleans permeam por todo o álbum, mas grande parte da sonoridade alcançada se deve a gaita de Topper Price, que amplifica muito o clima solto do country em vários momentos.

Os destaques do disco vão para todas a faixas. Desde os primeiros slides de "Out To Get Me" até os últimos acordes de "Bougainvillea", seja a música mais animada ou mais lenta, o disco transmite uma sensação nostálgica latente de Betts, com convicções bem arraigadas. Ela é absorvida até mesmo para quem não é velho o suficiente para sentir saudade do bom e velho country rock e talvez até para quem nunca tenha ouvido o gênero. Em qualquer dos casos, vale muito a pena ouvir este discaço.

Download

Trackslist:
1. Out to Get Me
2. Run Gypsy Run
3. Sweet Virginia
4. The Way Love Goes
5. Nothing You Can Do
6. California Blues
7. Bougainvillea

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Álbum da Semana: Walking into Clarksdale - Jimmy Page & Robert Plant




Em 1994, Page e Plant foram convidados pela MTV para participar do projeto "UnLedded", onde fizeram o bem sucedido álbum ao vivo No Quarter. Além de tocarem vários clássicos do Led Zeppelin, a dupla ainda compôs 3 músicas exclusivamente para o lançamento. A partir daí nasceu a vontade de gravar um disco apenas com material inédito, o que aconteceu 4 anos mais tarde em Walking into Clarksdale.


O álbum foi bem recebido pelo público, estreando em altas posições na Billboard e na UK Album Chart, com "Most High" recebendo o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock em 99. O fato é que o disco contém algumas composições que poderiam até fazer parte da discografia da antiga banda da dupla, muito embora, como um todo, fique aquém quando comparado com os lançamentos feitos pelo Led Zeppelin.

Com destaque para a densa "Burning Up", a épica "Most High", a linda "When I Was a Child" e a atmosférica "Walking into Clarksdale", o disco se torna indispensável para fãs do quarteto, que aqui podem  apreciar um pouco da genialidade de metade da lendária banda.

Link (Upload pelo Muro do Classic Rock): http://www.mediafire.com/?uoz741hxx1965wh




Tracklist:


1. Shining in the Light
2. When the World Was Young
3. Upon a Golden Horse
4. Blue Train
5. Please Read the Letter
6. Most High
7. Heart in Your Hand
8. Walking into Clarksdale
9. Burning Up
10. When I Was a Child
11. House of Love
12. Sons of Freedom






quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Álbum da Semana: On an Island - David Gilmour



Lançado em 2006, On an Island é o terceiro álbum solo de David Gilmour. Foi lançado no mesmo dia do aniversário de sessenta anos de Gilmour (6 de março de 2006). Entre as participações especiais estão Richard Wright (Pink Floyd), Phil Manzanera (Roxy Music), Graham Nash e David Crosby (da banda Crosby, Stills, Nash & Young) e o pianista Jools Holland.

A linha seguida no disco, como não poderia deixar de ser, foi a dos dois últimos lançamentos do Pink Floyd (A Momentary Lapse Of Reason e The Division Bell), onde Gilmour assume praticamente a totalidade das composições da banda.

Em meio a arranjos vocais belissimos e as tradicionais guitarras cheias de feeling, Gilmour produz mais uma obra fascinante para amantes da boa música, em especial fãs do Pink Floyd.


Download



Tracklist:
01. Castellorizon
02. On An Island
03. The Blue
04. Take a Breath
05. Red Sky at Night
06. This Heaven
07. Then I Close My Eyes
08. Smile
09. A Pocketful of Stones
10. Where We Start

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Álbum da Semana: Stain - Living Colour



Por Guilherme Vaz

Após dois bem sucedidos álbuns de estúdio, Vivid e Time's Up, alcançando altas posições na Billboard e ganhando ainda um Grammy, os nova iorquinos do Living Colour viriam a lançar em 1993 Stain. Conhecidos por fundir free jazz,  funk, neo-psychedelia, hard rock e heavy metal, o álbum apresentou a banda muito mais pesada e agressiva, incluindo elementos de thrash metal e música industrial.

O teor crítico das composições se tornou mais evidente, tratando, entre outros, de temas políticos, com ataques ao eurocentrismo e o racismo na América. Logo na faixa de abertura, tudo isso se torna explícito em versos como: "I see the starving Africans on TV/ I feel it has nothing to do with me/ I sent my twenty dollars to Liveaid/ I've aided my guilty conscience to go away/ Now go Away/ Go away".

Se você gosta de guitarras pesadas, cozinha grooveada e vocal estiloso esse álbum é pra você. É também  uma grande experiência para fãs de Red Hot Chilli Peppers, Faith No More e Jane's Addiction.


Tracklist:

1. Go Away
2. Ignorance Is Bliss
3. Leave It Alone
4. Bi
5. Mind Your Own Business
6. Ausländer
7. Never Satisfied
8. Nothingness
9. Postman
10. Wtff
11. This Little Pig
12. Hemp
13. Wall
14. T.V. News
15. Love Rears It's Ugly Head







quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Álbum da semana: Hard Attack - Dust


Por Gabriel Albuquerque


Formado no final dos anos 1960, banda Dust, assim como outros vários bons grupos do hard rock setentista, acabou caindo no esquecimento - ainda que bastante citada entre os mais aficionados. Mas a qualidade do power trio, que unia hard rock pesado e vigoroso com progressivo viajente, é inquestionável.

Em Hard Attack, o seu segundo e último álbum, o trio formado por Richie Wise, Kenny Aaronson e Marc Bell resolveu deixar de lado os tons mais progs e investir em passagens mais pesadas e com mais melodia, como já demonstra a sensacional abertura ''Pull Away ( So Many Times)'', alternando guitarra rápida com vocais mais lentos e violão de 12 cordas.

Um caso à parte nos power trios, no Dust o baixo tem grande destaque, protagonizando alguns dos melhores momentos do álbum, como as paletadas de ''All In All'', que também conta com viradas furiosas na bateria; e ''Suicide'', com um devastador solo destorcido. Por outro lado, a voz macia de Richie cria belas melodias em ''Thusly Spoken'', ''How Many Horses'' e ''I've Been Thinking'', boas canções construídas em cima da harmônia.

O grupo acabou precocemente e todos os seus integrantes se separaram, mas continuaram na música. Wise virou produtor e trabalhou com o Kiss; Aaronson tocou com Joan Jett e Edgar Winter; e Marc Bell ganhou fama nos Ramones com o pseudonônimo de Marky Ramone.

DOWNLOAD


Tracklist:
01. Pull Away (So Many Times)
02. Wall In The Soft Rain
03. Thusly Spoken
04. Learning To Die
05. All In All
06. I Been Thinkin'
07. Ivory
08. How Many Horses
09. Suicide
10. Dust The End

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Álbum da Semana: The Psychedelic Sounds Of The 13th Floor Elevators - 13th Floor Elevators

Quando mais novo, Roky Erickson foi internado num hospício e tratado com eletrochoques, foi preso diversas vezes no Texas, onde morava, e deixava todos os televisores de sua casa ligados fora do ar, com a intenção de captar sons alienígenas. E ainda alegava ter sido abduzido por ET's diversas vezes. Então, o que esperar de uma banda comandada por um ser desses? Nada menos do que muita loucura.

O 13th Floor Elevators era considerado expoente máximo do garage rock sessentista, ao lado de bandas como Strawberry Alarm Clock e The Seeds. O gênero consistia em pegar o rhythm 'n' blues e executá-lo da forma mais extravagante possível, com altas doses de agressividade e muita criatividade. O lirismo da banda era concentrado em experiências astrais de ascensão espiritual, que provavelmente eram conseguidas depois de muita erva, além de viagens em discos voadores e outras coisas relacionadas a extraterrestres. Tommy Hall, o membro fundador da banda, usava uma epécie de jug elétrico que imitava sons de naves espaciais durate as músicas e isso amplicava ainda mais essa temática.

A banda chegou a fazer sucesso com o hit "You're Gonna Miss Me", que chegou a ficar em 3º lugar nas paradas daquele ano, mas o disco foi um verdadeiro fracasso de vendas. A banda, com muito esforço, ainda conseguiu lançar mais dois bons discos - no qual o êxito foi tão grande quanto o do primeiro - antes de desaparecer totalmente. Felizmente, o gênero seria devidamente apreciado anos mais tarde, servindo de influência para jovens como Johnny Rotten e Joey Ramone, e suas coletâneas e discos relançados venderam mais do que os seus vinis na década de 60. O grupo acabou tendo um reconhecimento tardio, porém, muito merecido.

Disco indispensável a qualquer amante do rock

Download


Tracklist:
1. You're Gonna Miss Me
2. Roller Coaster
3. Splash 1
4. Reverberation
5. Don't Fall Down
6. Fire Engine
7. Thru The Rhythm
8. You Don't Know (How Young You Are)
9. Kingdom Of Heaven
10. Monkey Island
11. Tried To Hide

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Álbum da semana: Paris - Supertramp


Por Gabriel Albuquerque

Os fãs radicais do rock progressivo torcem o nariz para a abordagem mais pop do Supertramp. De fato, esse grupo inglês sempre se manteve mais próximo da música pop radiofônica do que do prog em si. Mas também é inegável que a banda tinha um time de instrumentistas de primeira e boas composições.

A banda pegou carona no sucesso do best seller Breakfast In America (1979) e foi gravar um disco ao vivo. O Supertramp queria fazer a gravação em Quebéc, Canadá, mas a gravadora A&M preferiu a capital francesa, por ser mais comercial. Todo a apresentação foi gravada, mas "Give a Little Bit", "Goodbye Stranger", "Even in the Quietest Moments", "Downstream", "Just a Normal Day" e "Another Man's Woman" tiveram de ser cortadas devido ao tempo de duração, que não caberia no disco de vinil.

A  O álbum começa desfilando os principais hits do grupo: ''School'', com um bom solo de piano, abre o show, seguido da leve balada ''Ain't Nobody But Me'', com refrão cantando em coro, e os as grudentas ''The Logical Song'', ''Bloody Well Right'' e ''Breakfast In America'', sampleada na canção ‘’Take a Look My Girlfriend’’, do Gym Class Heroes (clique para ouvir).

Mas o melhor fica para o final, quando a banda solta sua veia progressiva, com a sequência de ''Take The Long Away Home'', ''Fool's Overture'', ''Two Of Us'' e a épica ''Crime Of The Century'', fechando esse bom registro ao vivo - ainda que com alguns overdubs.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Álbum da Semana: Victims Of The Modern Age - Star One

O nome de Arjen Anthony Lucassen dispensa maiores apresentações, pois ficou bastante conhecido no cenário metálico depois do disco The Final Experiment, a frente do projeto Ayreon, que surpreendeu por sua incrível generalidade musical. A partir desse disco o nome de Arjen ganhou força, e isso refletiu nos seus discos seguintes, que agora contavam com participações de nomes cada vez maiores dentro do metal, como Bruce Dickinson, Floor Jansen, Tobias Sammet, Derek Sherinian, Jorn Lande, Mikael Åkerfeldt, Michael Romeo, Sharon Den Adel, entre outros. Desde então o músico coleciona projetos, e dentre eles se destacam o Guilt Machine e o Stream Of Passion - que agora caminha com suas próprias pernas - além do Star One, tema deste post.

O Star One estreou em 2002 com o disco Space Metal, totalmente baseado em histórias de ficção científica - tema pelo qual Arjen evidencia sua admiração em seu projetos. Desde o seu nome, que deriva de uma série do gênero dos anos 70/80 chamada Blake's 7, até suas músicas, todas baseadas em filmes e séries também do gênero. A banda ficou 8 anos sem gravar um full-lenght, até o ano passado, quando Victims Of The Modern Age foi lançado.

O disco segue a mesma temática do anterior, mas dessa vez Arjen recorre também à fantasia de clássicos como "Laranja Mecânica" (Victims Of The Modern Age) e "Doze Macacos" (Cassandra Complex). Para o disco o músico conta novamente com nada menos que Russel Allen, Floor Jensen, Damian Wilson e Dan Swanö no vocais, nomes que por si só já atraem grande interesse. Mais do que isso, garantem ao disco um show na parte vocal. Ed Warby (bateria), Peter Vink (baixo), Joost Van Den Broek (teclado solo) e Gary Wehrkamp (guitarra solo) também permaneceram na banda, e dão ao vocalistas uma base instrumental muito bem equilibrada e uma atmosfera espacial e sombria, além de bons momentos isolados, como os riffs verdadeiramente matadores de Wehrbank e os solos alucinantes de Joost Van Den Broek. Alie isso a maturidade que Arjen adquirira nesse hiato de 8 anos, trabalhando com seus outros projetos, e temos um disco bem mais rico e coeso que o anterior, que já era excelente.

Todas as músicas do disco são muito boas, mas fica impossível não destacar "Digital Rain", com seus riffs cortantes e um fantástico trabalho vocal, "Cassandra Complex", um quase hard rock onde a temática do disco é ainda mais vincada, mostrando a luta de um homem e uma mulher pela vida de seu planeta, e a derradeira "It All Ends Here", que tem ares do Ayreon, com diversos andamentos e sonoridades e uma atmosfera densa e pesada, sem perder o dinamismo ao longo de seus mais de 9 minutos.

Victims Of The Modern Age é um disco completo e com excelentes composições, tanto liricamente quando instrumentalmente, e cheio de diversidade. O instrumental aliás se mostra muito competente, com uma base forte e uma atmosfera espacial que reforça ainda mais o lirismo das músicas. Se você gosta dos projetos de Arjen ou de metal progressivo, este disco é um prato cheio.

Download

Tracklist:
1. Down The Rabbit Hole
2. Digital Rain
3. Earth That Was
4. Victim Of The Modern Age
5. Human See, Human Do
6. 24 Hours
7. Cassandra Complex
8. It’s Alive, She’s Alive, We’re Alive
9. It All Ends Here

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Álbum da semana: Truck Turner - Isaac Hayes


Por Gabriel Albuquerque

Na década de 1970 os negros não tinham muitos motivos para se comemorar. O racismo tinha sido abolido das leis na década anterior, mas culturamente a xenofobia e o preconceito continuavam fortes. Além disso, eles ainda enfretavam empregos árduos e mal-remunerados e foram obrigados a viver em áreas pouco convidativas que serviram de maternidade para as gangues de criminosos e o tráfico de drogas. Mesmo assim, os negros sempre encontravam formas de se divertir. Uma das que se destaca é o cinema, que foi desenvolvido em uma tendência chamada blaxpoitation.

Os filmes de blaxpoitation era feitos especialmente para os negros, que compunham não apenas o público, mas também o elenco principal. Além de muita ação, balas e perseguições, o blaxpoitation também chamava atenção pela sua trilha sonora, composta por funk, soul e outros derivados da black music.

Isaac Hayes foi o principal trilheiro do movimento. Foi ele quem compôs a música de Shaft, um dos primeiros filmes do estilo. O disco duplo gracado por Hayes para servir de trilha sonora ganhou um prêmio Oscar, ficou por duas semanas no topo da parada da Billboard e até hoje é considerado um álbum essencial.

Mas a carreira de trilheiro de Isaac Hayes não ficou só em Shaft. Em 1970 gravou a trilha de outro blaxpoitation: Truck Turner. E ainda faz o papel principal do caçador de recompensas de mesmo nome. Diferentemente de Shaft, em Truck Turner Isaac Hayes se permitiu ter uma ajuda extra. Ele compôs, arranjou produziu e tocou quase todos os instrumentos. A ajuda só veio mesmo para gravar a seção de cordas, tarefa dada à Orquestra Sinfônica de Memphis, conduzida por Johnny Allen (que também deu uma força nos arranjos) e também por Isaac.

É impossível resistir ao golpe de bateria no funk-rock de ''Breakthrough'', sustentado por uma firme seção rítmica, é uma das melhores do álbum. Outros destaques são ''Now're One'' e ''We Need Each Other Girl'' são belas faixas instrumentais onde o saxofone lidera, enquanto que nas pedradas ''Persuit Of The Pimpmobile'' e ''Hospital Shootout'' é o baixo quem lidera, criando um som demolidor e consistente.

Há alguns pastiches que não se sustentam sem o acompanhamento das imagens (algo bastante recorrente em trilhas sonoras), como ''The Duke'' e ''Dorinda's Party'' mas felizmente esses momentos são poucos. E por mais que Truck Turner esteja longe do nível de Shaft, é um ótimo momento na extensa discografia de Isaac Hayes, e tamém uma prova de seu multi-talento.

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Tracklist:

1. Main Title Truck Turner
2. House Of Beauty
3. Blues Crib
4. Driving In The Sun
5. Breakthrough
6. Now We're One
7. The Duke
8. Dorindas Party
9. Pursuit Of The Pimpmobile
10. We Need Each Other Girl
11. A House Full Of Girls
12. Hospital Shoutout
13. You're In My Arms Again
14. Give It To Me
15. Drinking
16. The Insurance Company
17. End Theme

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Álbum da Semana: Fool For The City - Foghat

Mais conhecido entre os jovens apenas pelo hit "Slow Ride", que está presente na terceira versão do jogo Guitar Hero, o Foghat é bastante cultuado entre os apreciadores do hard rock setentista. A banda foi formada em 1971, na Inglaterra, por três ex-integrantes do Savoy Brown (o vocalista Lonesome Dave Peverett, o baixista Tony Stevens e o baterista Roger Earl) e pelo guitarrista Rod Price. A banda teve o seu ápice na metade dos anos 70, e seus lançamentos ganhavam constantemente discos de ouro e platina, o que é algo louvável, pois conseguiram se sobressair no cenário mundial na época em que dinossauros sagrados como Led Zeppelin e Black Sabbath ainda caminhavam sobre a terra, e no seu auge criativo.

A banda faz um som bem enraizado nos compassos simples e cadenciados do boogie. Mas apesar de sua raíz blueseira, a banda estava longe de ser purista, e misturava o boogie ao hard rock da época e também a um pouco de soul e funk, resultando num som cativante e acessível até mesmo aos não iniciados no gênero, o que a diferenciava das demais. Lonesome Dave era sempre forte nos vocais, e a cozinha era bem dinâmica, e se preocupava em dar diferentes levadas à uma mesma música. Outro diferencial da banda era o talentoso guitarrista Rod Price, com os seus inspirados solos na slide-guitar, que se tornaram uma característica marcante no som do Foghat.

Fool For The City é o quinto álbum da banda, lançado em 1975, e contém o mega hit e maior sucesso do grupo, "Slow Ride". Mas o disco tem muito mais a oferecer do que apenas essa faixa. A clássica "Terraplane Blues", do lendário bluesman Robert Johnson, ganha uma versão arrasadora, com uma performance incrível de Rod Price e Lonesome Dave, bem como a blues ballad "My Babe", do duo americano Righteous Brothers. Outro destaque é a sensual semi-balada "Take It Or Leave It", além da infecciosa faixa-título, que abre o álbum com toda energia.


Este é apenas mais um álbum dentre outros excelentes da discografia da banda, mas é um bom ponto de partida para os que ainda não a conhecem. Uma excelente pedida para quem gosta de um bom hard rock clássico.


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Tracklist:
1. Fool for the City
2. My Babe
3. Slow Ride
4. Terraplane Blues
5. Save Your Loving (For Me)
6. Drive Me Home
7. Take It or Leave It

domingo, 6 de novembro de 2011

Álbum da semana: The Highwaymen Ride Again - The Highwaymen

Por Gabriel Albuquerque Silva

Waylon Jennings, Johnny Cash, Willie Nelson, Kris Kristofferson. Essas quatro lendas da música country americana já se conhecem e tem uma relação de amizade há tempos, dividindo o palco algumas vezes e esporadicamente gravando em parceria.

Mas chegou uma hora em que isso não foi o suficiente, e em 1985 foi formado o supergrupo Highwaymen, um projeto que durou dez anos e rendeu três discos de estúdio, com uma estréia que conseguiu alguns elogios da crítica especializada

Lançado pela CBS em 1995 e com direção artística de Barry Falkner, The Highwaymen Ride Again - que também leva o subtítulo I Love Country - reuniu alguns dos melhores momentos desses ícones da música tradicional dos Estados Unidos, tanto do projeto Highwaymen quanto apresentações distintas e músicas solo.

Há bons momentos individuais, como ''They're All The Same'' (Johnny Cash) e a boa versão do hit do Procol Harum ''A Whiter Shade of Pale'' (Willie Nelson). Mas os pontos altos são nas parcerias, como ''The Twentieth Century Is Almost Over'' e ''The Last Cowboy Song'', onde os quatro se revezam nos vocais; ''Down To Her Socks'' (Willie Nelson e Kris Kristofferson) e o baladão profundo ''Heroes'' (não aquele clássico de David Bowie), onde Cash e Jennings colocam suas vozes graves e arrastadas com maestria de veterano.

Não chega a ser uma grande compilação, mas é um bom ponto de partida para o campo da música country americana, e o clima descompromissado e festivo garantem uma audição prazerosa.

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Tracklist:


1. Twentieth Century Is Almo
2. How Do You Feel About Foo
3. Heroes
4. Down To Her Socks
5. Blackjack Country Chains
6. They're All The Same
7. White Shade Of Pale
8. Last Cowboy Song
9. Ballad Of Forty Dollars
10. Pilgram Chapter 33
11. Casey's Last Ride
12. Under The Gun
13. Eye Of The Storm
14. Why Baby Why

domingo, 23 de outubro de 2011

Álbum da semana: High Violet - The National



Por Gabriel Augusto

Ah, lágrimas de encanto! Este maravilhoso disco tem o incrível poder de seduzir quem o escuta, mesmo soando melancólico e introvertido quase que o tempo todo. A banda The National vem se especializando cada vez mais em fazer isso. Em Alligator, de 2005, e principalmente em Boxer, de 2007, a banda já demonstrava essa capacidade. Mas o ápice chegou neste sensacional disco.

Suaves melodias, fruto de um delicado trabalho instrumental, vão ganhando corpo progressivamente, além de casarem-se perfeitamente com a voz grave e apaixonante do barítono Matt Berninger. Usando muito bem as analogias, as letras falam de amor, solidão, tristeza e outros sentimentos conflitantes sem piequice ou burocracia demais.

“England”, a que mais gosto, “Sorrow” e “Vanderlyle Crybaby Geeks” são as mais tristes. Elas têm a capacidade de levar às lágrimas aqueles que as escutam, e são irresistivelmente dominadas pelo desespero. “Runaway” é outra bela música que se encaixa nessa descrição. “Afraid of Everyone” e “Bloodbuzz Ohio” são as mais agitadas, mas não fogem do contexto da aflição e agonia. “Conversation 16” é sem dúvida uma das melhores, ou talvez a melhor. Mostra-se também uma das mais sacolejantes. “Anyone’s Ghost” e “Lemonworld” tem refrões que colam na mente. “Little Faith”, como já diz o próprio nome, discorre sobre a falta de fé, e soa como uma forma de protesto, mesmo que discretamente. “Terrible Love” traz uma simpática letra, onde o amor é tratado como assustador, além de uma melodia bem bacana.

Enfim, é um disco excelente e pode até ser encarado como um clássico, sem demagogia! Há de se destacar também o ótimo trabalho de Bryan Devendorf na bateria. Com seus traços de Pós-Punk, The National pode não ter atingido o status de outras bandas indie consagradas, como Arcade Fire e Franz Ferdinand, mas talvez este seja o segredo dessa cinzenta e espetacular banda, nascida em Ohio, mas que se criou no Brooklyn.

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Tracklist:

01 – Terrible Love
02 – Sorrow
03 – Anyone’s Ghost
04 – Little Faith
05 – Afraid of Everyone
06 – Bloodbuzz Ohio
07 – Lemonworld
08 – Runaway
09 – Conversation 16
10 – England
11 – Vanderlyle Crybaby Geeks

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Álbum da Semana: After - Ihsahn

Mais conhecido por ter revolucionado o black metal noruguês à frente de sua ex-banda Emperor, Ihsahn - pseudônimo de Vegard Sverre Tveitan - também possui um interessante trabalho solo. O guitarrista está na ativa desde 2005 e After, lançado ano passado, é o seu terceiro disco. A exemplo de  outros músicos do riquíssimo cenário underground da Noruega, seu projeto solo é bem diferente do black metal que se tornou a principal matéria de exportação do país.

Assim como os outros discos, After é bastante experimental e tem uma veia progressiva. O disco tem muitas alternâncias entre momentos mais tranquilos e outros mais brutais, mas a transição entre eles é feita de forma bastante sutil, o que pode ser notado na faixa que abre o disco, "The Barren Lands". As canções possuem diferentes nuances e diversas texturas, riffs escondidos e muitas camadas de guitarra e passagens instrumentais, o que torna possível notar algo mais a cada audição, e o uso de vocais limpos e guturais aliados aos rumos diferentes que as canções tomam faz com que o disco entregue uma gama de emoções diferentes.

Uma coisa que chama a atenção é o uso do saxofone. A princípio pode parecer arriscado e pretensioso, mas acaba dando certo e se torna o principal responsável pela sonoridade avant-garde do álbum, seja ele desesperado, como na frenética "A Grave Inversed", ou melodioso e melancólico, como nas longas "Undercurrent" e "On The Shores". Ele soa simuladamente deslocado e fora de ritmo, e segue um certo padrão dentro da sonoridade do disco, como uma loucura na medida certa.

Fora essa capa que não convence - pra dizer o mínimo - o disco é altamente recomendado para quem procura por um som inovador e fora dos padrões.

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Tracklist:
01. The Barren Lands
02. A Grave Inversed
03. After
04. Frozen Lakes On Mars
05. Undercurrent
06. Austere
07. Heaven’s Black Sea
08. On The Shores

sábado, 1 de outubro de 2011

Álbum da semana: Maria Fumaça - Banda Black Rio


Enquanto na zona norte e de classe alta do Rio de Janeiro imperava a bossa nova, na humilde zona sul o funk e a soul music das bandas americanas como Earth, Wind & Fire e Kool & The Gang pipocavam. Assim, o surgimento de grupos de funk cariocas que faziam covers dos grandes nomes gringos para bailes foi uma consequência natural.

Mas alguns foram além e resolveram dar uma linguagem própria àquela música importada adicionando elementos da música brasileira, como o samba de prato. O exemplo mais famoso é Tim Maia, com o funk-baião de ''Coroné Antônio Bento'', mas o síndico não foi o único a ''traduzir o soul''.

Em 1976 a Warner abriu uma subsidiária no Brasil e procurava uma banda do tal movimento Black Rio. Convidou o saxofonista e arranjador Oberdan Magalhães a formar uma banda e assinar contrato com o selo, e assim nasceu a Banda Black Rio.

Lançado um ano depois, Maria Fumaça foi o primeiro disco do grupo, e como era de se esperar, trazia a fusão do funk com ritmos brasileiros. A mais famosa foi a faixa título (assista o vídeo abaixo), que virou tema de abertura da novela global Locomotiva, mas o talento dos exímios instrumentistas e arranjadores transborda na arrojada ''Mr. Funky Samba'', onde a fusão de ritmos é mais evidente; no soul romântico ''Junia'' e nas versões de ''Casa Forte'' (Edu Lobo), ''Baião'' (Luiz Gonzaga) e ''Na Baixa do Sapateiro'' (Ary Barroso), que ganharam um colorido especial e um groove irresistível.

A repercussão do disco foi extremamente positiva. Caetano Veloso convidou a banda para acompanhá-lo turnê de seu álbum Bicho. Um desses shows foi gravado e lançado como Bicho Baile Show em 1978 e Caetano considera este como um de seus melhores discos.

O grupo acabou em 1984 com a morte de Oberdan, mas voltou à ativa 15 anos depois com o filho do fundador, William Magalhães, tecladista, arranjador e produtor experiente que trabalhou com nomes como Gilberto Gil, Cassiano, Caetano, Marina Lima, Ed Motta, entre outros. A partir daí a banda deixou de ser instrumental e passou a incluir vocais.

Em Maria Fumaça está a prova de que a música é universal e que pode sempre ser inovada. Como surgiu a ideia de fundir ritmos tão destintos, mas enraizados na mesma cultura negra? Oberdan explica: ''o funk é tocado no compasso 4/4 e o samba no 2/4. Tudo o que eu fiz foi achar o denominador comum''.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Álbum da Semana: Horehound - The Dead Weather

Por Guilherme Vaz

Composto por Alison Mosshart (do The Kills e Discount), Jack White (do The White Stripes e The Raconteurs), Dean Fertita (do Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence (do The Raconteurs e The Greenhornes), o The Dead Weather foi formado em 2009, lançando no mesmo ano Horehound.

No decorrer das 11 faixas do disco o que se ouve é um blues rock estilizado: moderno, com arranjos diretos e endiabrados com Jack White assumindo as baquetas; envolvente pelos sexy vocais de Alison Mosshart e atmosférico beirando o dark com os teclados de Dean Fertita e os efeitos fuzz do baixo de Jack Lawrence.

Destaques do álbum ficam com a densa e "Treat Me Like Your Mother", "I Cut Like A Buffalo" onde Mosshart e White disputam pelo controle dos microfones, e na versão de "New Pony" de Bob Dylan, puramente led-zeppeliana.

Recomendado a quem procura rock contemporâneo de qualidade.


Tracklist:

"60 Feet Tall" 5:33
"Hang You From The Heavens'" 3:39
"I Cut Like A Buffalo" 3:28
"So Far From Your Weapon" 3:40
"Treat Me Like Your Mother" 4:10
"Rocking Horse" 2:59
"New Pony" (Bob Dylan)" 3:58
"Bone House" 3:27
"3 Birds" 3:45
"No Hassle Night" 2:56
"Will There Be Enough Water?" 6:20

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Álbum da Semana: Desert Call - Myrath

O Orphaned Land quando surgiu surpreendeu muita gente misturando o metal com os elementos árabes, mistura que até então nã havia sido explorada profundamente, e a banda surpreendeu também por ser oriunda de Israel, um país um tanto exótico no metal. De origem também exótica, a Tunísia, o Myrath lançou em 2005, apenas em seu país, o disco Double Face. Uma estreia um tanto modesta, mas que permitiu a banda dividir o palco do Carthage Amphitheatre com os franceses do Adagio e do lendário vocalista Robert Plant.

O tecladista do Adagio, Kevin Kodfert, se impressionou com a qualidade da banda e a ajudou a gravar Hope, trabalho que seria editado em 2007 pela gravadora francesa Brennus, sendo sua estreia mundial. Três anos depois, a banda lançou Desert Call, apostando numa sonoridade mais progressiva e melódica e numa maior incursão dos elementos árabes. A banda não a faz de forma tão grandiosa quantos o Orphaned Land, mas ela contribui bastante para o ambiente do disco, desde a percussão até a utilização de flautas, além das variações vocais de Zaher Zorgati.

Ocidentalmente falando, o som da banda mantém a qualidade, com bons riffs, longos solos e inúmeros duelos de guitarra e teclado. "Madness", "Silent Cries", "Shockwaves" e "Memories", além da faixa-título são bons exemplos da capacidade criativa da banda.

Se gostar deste, fique no aguardo, em breve a banda lançará seu terceiro disco, Tales Of The Sands, que será resenhado aqui.

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Track List:
01. Forever And A Day
02. Tempests Of Sorrows
03. Desert Call
04. Madness
05. Silent Cries
06. Memories
07. Ironic Destiny
08. No Turning Back
09. Empty World
10. Shockwave

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Álbum da Semana: Hatfield And The North - Hatfield And The North


Por Pedro Kirsten

O Hatfield And The North foi formado em 1973 e é considerado uma das mais importantes bandas da chamada Cena de Canterbury, ao qual se refere às diversas bandas de Prog Rock e Jazz Fusion que surgiram em Canterbury, na Inglaterra, durante o final da década de 60 e inicio da década de 70.

A banda era composta por nomes conhecidos da cena progressiva da época, tornando o Hatfield And The North uma espécie de supergrupo. A formação consistia em: Richard Sinclair, Phil Miller, Pip Pyle e Dave Stewart. O autointitulado do grupo foi lançado em Janeiro de 1974 e como a maioria das bandas de Canterbury, demonstra muito talento instrumental, musicalidade e um irreverente senso de humor na medida certa. As faixas ligam-se umas às outras de forma muito natural, tornando difícil notar a transição em certos momentos.

Um ano depois, a banda chegou a lançar seu segundo álbum de estúdio, The Rotter's Club, mas se separou pouco tempo depois. Dave Stewart formou o National Health ao lado de Alan Gowen do Gilgamesh onde trabalhou novamente com Phil Miller e Pip Pyle. Os músicos também colaboraram juntos em outros projetos pós Hatfield And The North.

Graças à combinação da complexidade de Stewart, as tendências jazzísticas de Miller, os incríveis grooves de Pyle e a riqueza do baixo e vocal de Sinclair, Hatfield And The North permanece um clássico até hoje. Sem dúvidas alguma vale a audição!

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Tracklist:
01. The Stubbs effect (0:23)
02. Big jobs(Poo Poo extract)(0:36)
03. Going up to people and tinkling (2:25)
04. Calix (2:45)
05. Son of "there's no place like Homerton" (10:10)
06. Aigrette (1:38)
07. Rifferama (2:56)
08. Fol de rol (3:07)
09. Shaving is boring (8:45)
10. Licks for the ladies (2:37)
11. Bossa nochance (0:40)
12. Big jobs No 2 (By Poo and the Wee Wees) (2:14)
13. Lobster in cleavage probe (3:57)
14. Gigantic land-crabs in Earth takeover bid(3:21)
15. The other stubbs effect (0:38)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Álbum da semana: Lou Reed - Berlin

Por Gabriel Albuquerque

Com Transformer, seu segundo disco solo, Lou Reed estourou no mundo todo com um punhado de hits radiofônicos, como ''Beautiful Day'' e ''Walk On The Wild Side''. Mas o poeta do underground viria surpreender a todos no ano seguinte, com o conceitual Berlin.

A opera rock narra a história de um casal alemão fazendo conexões com temas já usados previamente por Reed no Velvet Underground, como drogas (''Caroline Says I) e depressão e solidão (''Oh Jim'').

As seis primeiras músicas (o lado A do vinil) é na verdade, uma espécie de introdução da história. Tudo começa na segunda metade, com ''Caroline Says II'', contando as agressões do personagem principal (o próprio Lou Reed) à sua esposa. Na sequência, em ''The Kids'', sob gritos desesperados de ''mamãe!'' a mulher perde a custódia dos filhos. A próxima é ''The Bed'', que fala por si só: ''"Esse é o lugar onde ela pegou a lâmina / e cortou seus pulsos naquela noite estranha e malfadada / e eu disse oh, oh, oh, que barato''. Tudo é finalizado com ''Sad Song'', que mostra, mais uma vez, o descaso de Reed com toda a situação, exemplificada nos versos ''eu vou parar de perder meu tempo''.

A poesia dark e pesarosa é acompanhada por instrumentos até então inéditos na obra do músico: trompas, arranjos orquestrais, metais, órgão, trompete, entre outros. Os músicos foram escolhidos a dedo pelo produtor Bob Ezrin (que havia produzido os quatro primeiros discos do Alice Cooper), entre eles, Steve Winwood do Traffic no órgão e Jack Bruce do Cream no baixo. Além disso, Ezrin Erin foi essencial na síntese do disco. O material inicial tinha cerca de duas horas, o produtor condensou para 49 sombrios minutos.

A crítica da época, esperando mais um álbum no estilo glam rock, massacrou Berlin. A Rolling Stone chegou a chamá-lo de ''desastre''. A verdade é que Lou Reed, mais uma vez, estava à frente de seu tempo. O som criado por ele influenciou centenas de músicos, entre eles, Ian Curtis, líder do Joy Division, que foi mundialmente aclamado pela mesma poesia lúgubre e tensa pela qual Reed foi crucificado.

Tracklist:

1- Berlin
2- Lady Day
3- Men of Good Fortune
4- Caroline Says I
5- How Do You Think It Feels
6- Oh Jim
7- Caroline Says II
8- The Kids
9- The Bed
10- Sad Song

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Álbum da Semana: Wolfmother - Wolfmother





Por Guilherme Vaz

Primeiro álbum de estúdio dos australianos do Wolfmother, autointitulado, apresenta as 4 canções de seu EP, lançado um ano antes deste (2004) com poucas alterações. O estilo voltado especialmente para o Hard Rock e o Stoner Rock influenciado pela música das décadas de 60 e 70 chamou a atenção e conseguiu ótimas vendagens.


O reconhecimento veio também com um Grammy Award para melhor performance de Hard Rock em 2007 com a música Woman, um dos petardos do álbum, que também foi muito utilizada como trilha em games e comerciais.


Recomendado a quem procura rock atual de qualidade.


Tracklist:


"Dimension"
"White Unicorn"
"Woman"
"Where Eagles Have Been"
"Apple Tree"
"Joker & the Thief"
"Colossal"
"Mind's Eye"
"Pyramid"
"Witchcraft"
"Tales From The Forest Of Gnomes"
"Love Train"
"Vagabond"






quarta-feira, 27 de julho de 2011

Álbum da semana: Kanguru - Guru Guru

Apesar de ter uma boa reputação na cena free jazz européia, o Guru Guru é referência hoje em dia quando o assunto é rock progressivo alemão, o krautrock.

Os dois primeiros discos da banda são marcados por experimentações e muitas vezes soa cansativo e pretensioso. Em Kanguru, o power trio não deixou de lado os seus longos solos, mas prezou por uma construção melódica mais bem trabalhada e com muita influência de Frank Zappa e Hendrix, que parece ter inspirado boa parte dos riffs e solos.

''Ooga Booga'' traz uma boa interação entre a guitarra e instrumentos de percurssão que culmina numa penetrante performance de guitarra seguido de um duelo com o baixo. ''Baby Cake Walk'' também tem um grande trabalho do guitarrista Ax Genrich, mesclando solos rápidos com compassos mais cadenciados. O baterista Mani Neumeier e o baixista Uli Trepte brilham em ''Immer Lusting''. Mani abre com uma batida militar e faz a variação rítmica para um som mais funkeado, dando espaço para o baixo encorpado de Trepte.

O disco foi bem recebido pela impressa inglesa, que não ia com a cara do rock alemão, e foi o maior sucesso da banda, vendendo 11 mil cópias. O Guru Guru ainda está na ativa, mas hoje é conhecido apenas pelos fãs mais garimpeiros do rock progressivo e alguns do jazz fusion, mas o grupo ainda é tido como referência na cena das jam bands.

Download

Tracklist:

01. Oxymoron
02. Immer Lustig
03. Baby Cake Walk
04. Ooga Booga

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