Karina Buhr no Recife

Cantora celebra o auge com show vibrante em Recife

Entrevista: Into The Void

Em entrevista ao Metropolis Music, os americanos do Into The Void falam sobre seu novo álbum, a cena Metal da região, o processo de criação de seus clipes e muito mais

Pérola perdida

Funk, Prog e Jazz com os africanos do Demon Fuzz

Band of Skulls

"Sweet Sour apresenta o trio ainda mais flexível, partindo de canções puramente densas à composições com toda a sutileza do folk."

Leonard Cohen

"As velhas ideias deste senhor ainda são muito superiores à várias novas sensações do cenário musical."

Mostrando postagens com marcador Mixtapes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mixtapes. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mixtape: Rock Progressivo Italiano



Por Rodrigo Luiz

Quando se fala em rock progressivo, muitas bandas vêm imediatamente à cabeça: Pink Floyd, Yes, King Crimson, Jethro Tull, Genesis, dentre várias outras. E essas bandas compartilham da mesma nacionalidade, a inglesa. Está certo que a Inglaterra é o país mais representativo desse gênero, mas também houve outros movimentos significativos no rock progressivo na década de 70: o Krautrock na Alemanha; o "zeuhl" na França, criado pela banda Magma; o Rock In Opposition de Henry Cow; e a cena portuguesa protagonizada por José Cid, com o disco 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte, que é considerado um dos melhores discos de prog rock da história. Mas nenhuma dessas cenas pôde competir com os ingleses, seja em número ou qualidade de bandas, como o cenário italiano do rock progressivo. Posteriormente categorizado como Rock Sinfônico Italiano, o gênero começou a se desenhar no fim dos anos 60, em meio a um turbilhão de acontecimentos e um clima político bastante denso. A influência desses períodos turbulentos mudou a direção não apenas da música, mas também de muitos outros âmbitos artíticos. Os jovens desejavam uma mudança e absorveram o rock como forma de protesto; o gênero passou a ser cultuado no país e bandas como King Crimson e Genesis passaram a ser adoradas lá, algo que não acontecia nem mesmo na Inglaterra.

Le Orme
Com a maior popularidade do rock no país, consequentemente foram surgindo novas bandas. Ainda no final dos anos 60, bandas como Le Orme, I Giganti e o I Quelli - que posteriormente seria o Premiata Forneria Marconi - viviam da popularide do beat inglês (uma mistura de rock, skiffle e R&B) com relativo sucesso. No início de 1971, seria lançado Terra In Boca, do I Giganti. Abordando a máfia como tema, o disco é considerado por estudiosos o primeiro disco do rock progressivo italiano, ainda sem seus contornos tradicionais. No mesmo ano seria lançado o aclamado Concerto Grosso Nº 1, do New Trolls, o primeiro disco a adicionar a influência da música clássica barroca ao rock. Foi o disco que abriu as portas para o estilo, vendendo quase 1 milhão de cópias. Mas a explosão do prog italiano aconteceu mesmo com o disco Storia Di Un Minuto, do Premiata Forneria Marconi, que impulsionou muitas bandas locais a aderirem de vez ao estilo. A partir daí, o gênero começou a tomar caminhos diferentes e a ganhar contornos cada vez mais sinfônicos, se distanciando de vez  do prog rock tradicional. Já era o início do que viria a ser o rock progressivo italiano.

Banco Del Mutuo Soccorso
Os músicos traziam consigo uma grande influência da música feita no país. Eles cantavam em sua língua nativa e resgatavam o folclórico barroco e todo lirismo das óperas e das obras clássicas, e as imprimiam ao rock sem muita sutileza, garantindo melodias suaves e uma delicada estrutura instrumental, desenhada ao milímetro. O uso de teclados diferentes, como Hammonds, Mellotrons e Moogs, e instrumentos de sopro, principalmente a flauta, era bem comum. Eles apreciavam as melodias e os detalhes, e os trabalhavam com excelência, e não poluiam as músicas com excessos musicais ou exibicionismos técnicos. Dificilmente um instrumento tinha destaque absoluto, eles trabalhavam por momentos, mas solavam em algumas nuances isoladas. Muitos gostam de dizer que é como música clássica tocada como rock. Era algo muito peculiar, de grande riqueza musical, e sua unicidade o fez dissociar-se de todo o restante de subgêneros. Era uma missão ingrata classificar qualquer banda daquele país que não fosse com o termo "Rock Progressivo Italiano", que foi usado também para esclarecer os ardorosos fãs ingleses e americanos. Mas além dessa generalizada influência nativa, as bandas também tinham algo do prog inglês, do jazz, do blues, do psicodélico, e até mesmo dos subgêneros do prog rock supracitados, como Rock In Opposition e o Zeuhl. A presença ou ausência desses elementos variava em cada banda, e davam a elas singularidade, o que valorizava a cena e a tornava ainda mais rica e diversa.

Premiata Forneria Marconi
Mas, apesar de toda a qualidade das bandas, a quantidade delas era tão exorbitante que acabou fazendo o gênero engolir a si mesmo. Apesar do gênero ser popular no país, as bandas locais não tinham público e consequentemente não vendiam muitos discos, então eram obrigadas a encerrar suas atividades. Além do mais, os anos 70 foram os mais prolíficos para o rock em geral e era impossível comprar tudo o que você quisesse ouvir. Existem raras exceções de bandas que conseguiram lançar mais do que 3 discos, e as que conguiram esse feito são os medalhões que ainda estão na ativa e são mundialmente conhecidas, como Premiata Forneria Marconi, Banco Del Mutuo Soccorso e o Le Orme, que lançou o disco La Via Della Seta este ano. Há também bandas que lançaram apenas um disco e se tornaram clássicas, como  Semiramis e Museo Rosenbach e os seus cultuados Dedicato a Frazz e Zarathustra, e até bandas que ainda nem foram descobertas e estão "esperando" que seus discos não lançados sejam achados nos arquivos antigos das gravadoras. Tudo aconteceu de forma muito rápida e estranha demais. Mas apesar disso, ou justamente por isso, a cena italiana virou cult, ganhou um grande grupo de amantes fiéis e deixou um belo legado, que a impediu de cair na obscuridade. O país continuou gerando bandas do gênero nos anos 80 e 90, com uma sonoridade mais moderna, mas mantendo vivo o espírito dos anos 70 e o respeito aos ídolos deste gênero tão rico e bem servido de belas bandas.

Download

Tracklist:

New Trolls - Cadenza, Andante Con Moto
Concerto Grosso

Le Orme - Cemento Armato
La Collage

Premiata Forneria Marconi - Per Un Amico
Per Un Amico
Banco Del Mutuorzo Socorzo - Cento Mani, Cento Occhi
Darwin!

 Museo Rosenbach - Dell'Eterno Ritorno
 Zarathustra

 Maxophone - C'e'un Paese Al Mondo
Maxophone

 Biglietto Per L'Inferno - Confessione
Biglietto Per L'Inferno

 Alphataurus - La Mente Vola
Alphataurus

Buon Vecchio Charlie - Evviva La Contea Di Lane
Buon Vecchio Charlie

Locanda Delle Fate - Cercando Un Nuovo Confine
Forse Le Lucciole Non Si Amano Più

 L'Uovo Di Colombo - Consiglio
L'Uovo Di Colombo

 Area - L'Elefante Bianco
Crac!

 Quella Vecchia Locanda - Sogno, Risveglio e...
(Quella VEcchia Locanda)

I Giganti - Avanti
Terra In Boca

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mixtape SWU

Por Gabriel Albuquerque

Acontece entre os dias 12 e 14 de novembro, em Paulínia, no interior de São Paulo, o festival SWU. Apesar de estar apenas em sua segunda edição, o festival já tem melhores atrações do que o bamba Rock in Rio, e mistura artistas já consagrados como Peter Gabriel (acompanhado da jovem New Blood Orchestra), Megadeth, Kanye West, Snopp e Black Eyed Peas com grupos que nunca vinheram ao país, como o lendário Lynyrd Skynyrd e a ótima Tedeschi Truck Bands, mais novas caras que já bombam no meio alternativo e tocam em vários festivais na gringa, como o Black Keys, Odd Future e Crystal Castles. E além disso, tem também um dos maiores baixistas do mundo na banda Primus e a possibilidade de un dos últimos shows do Sonic Youth - banda altamente influencial dos anos 90 - em um momento que irá entrar pra história.

Essa mixtape compila os principais destaques do line up do festival, tanto dos novatos quanto dos veteranos, e dos mais diversos estilos. Baixe, ouça e se prepare para este grande evento da música! Depois comente o que achou e quais os shows que você mais quer ver no SWU 2011.

DOWNLOAD

Tracklist:


1 - Mary-Christ (Sonic Youth)
2 - Telephone (Black Angels)
3 - Jerry Was a Race Car Driver (Primus)
4 - Gangsta Luv (Snopp Dogg feat. The Dream)
5 - All Of The Lights (Kanye West feat. Rihanna)
6 - The Greeks (Is Tropical)
7 - Crimewave (Crystal Castles)
8 - Weapon Of Choice (Black Rebel Motorcycle Club)
9 - Public Enemy No. 1 (Megadeth)
10 - Man In The Box (Alice In Chains)
11 - You Know My Name (Chris Cornell)
12 - Rua Augusta (Emicida)
13 - Solsbury Hill (Peter Gabriel & The New Blood Orchestra)
14 - Come See About Me (Tedeschi Trucks Band)
15 - Simple Man (Lynyrd Skynyrd)
16 - Big Bang Baby (Stone Temple Pilots)
17 -  Nada a Declarar (Ultraje a Rigor)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mixtape: Novo Som Brasil

Mais de quarenta anos depois do estouro da música brasileira na gringa, muita coisa mudou. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto e Erasmo e Chico Buarque não são mais os favoritos do povão, que agora se agarra em Claudia Leitte, Ivete Sangalo e qualquer 'Rebolation' que lhe apareça pela frente.

Mas a música brasileira ainda está viva, e devido a internet, um bom músico/compositor aparece na nossa frente numa velocidade vertiginosa, basta ter atenção e curiosidade.

Nessa Mixtape você encontrará as novas caras que estão provando que nós temos uma das melhores músicas do mundo. Rap, rock e pop: tem para todos os gostos. Vale lembrar que praticamente todos os artistas da seleção liberam em seu site oficial seus álbuns ou algum single para download ou stream, então se gostar, não deixe de se informar mais.

Download

TRACKLIST:  
Triunfo - Emicida
Mixtape: Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe... (2009)

 Codinome Dinamite - Garotas Suecas
Álbum: Dinossauro EP (2009)

Nassíria e Najaf - Karina Buhr
Álbum: Eu Menti Pra Você (2010)

Papapa - Mombojó
Álbum: Amigo do Tempo (2010)

Desencabulada - Luisa Maita
Álbum: Lero-Lero (2010)

Tempo de Pipa - Cícero
Álbum: Canções de Apartamento (2011)

O Prédio - Apanhador Só
Álbum: Apanhador Só (2010)

Rock de Roqueiro - Camarones Orquestra Guitarrística
Álbum: Espionagem Industrial (2011)

Silêncio - Los Porongas
Álbum: O Segundo Depois do Silêncio (2011)

Just Do It - Copacabana Club
Álbum: Tropical Splash (2011)

Cama - Cérebro Eletrônico
Álbum: Deus e o Diabo no Liquidificador (2010)

O Filho de Deus - Romulo Fróes
Álbum: Um Labirinto Em Cada Pé (2011)

Feito Pra Acabar - Marcelo Jeneci
 Álbum: Feito Pra Acabar (2010) 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mixtape: bandas de um disco só

O meio músical nem sepre é justo. Enquanto algumas bandas sem criatividade alguma são extremamente conhecidas e supervalorizadas, outros grupos excelentes se perderam no caminho e tornaram-se feitiche de colecionador. A mixtape desse mês apresenta bandas obscurecidas dos anos 1960 e 1970 que lançaram apenas um disco, mas que merecem tanta atenção quanto Kiss ou AC/DC.






1. I Can See Inside Your Head - Orang Utan

Álbum: Orang Utan (1971)

2. Highway Robbery - Fifteen

Álbum: For Love Or Money

3. Josefus - I Need A Woman

Álbum: Dead Man (1968)

4. Iron Maiden - Ned Kelly
Álbum: Voyage (1970)


5. Nosferatu - Highway
Álbum: Nosferatu


6. Khan - Stargazers
Álbum: Space Shanty (1972)


7. Andromeda - Turn To Dust
Álbum: Andromeda (1969)


8. Dry Ice - I Saw Her Standing There
Álbum: Mary's Meth Dream (1969)


9. Semiramis - Luna Park
Álbum: Dedicato A Frazz (1972)


10. Demon Fuzz - Desillusioned
Álbum: Afreaka!


11. Fuzzy Duck - One More Hour
Álbum: Fuzzy Duck (1971)


12. Bow Street Runners - Spunky Monkey
Álbum: Bow Street Runners


13. Charlee - Wheel Of Fortune Turning
Álbum: Charlee (1972)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mixtape: músicas de protesto

O protesto e a crítica são a base do DNA do rock. Enquanto nos anos 1950 o estilo era apenas ingênua diversão, na década seguinte as composições tornaram-se mais inteligentes e maduras ao tratar de problemas sociais e diferenças culturais que aconteciam principalmente nos Estados Unidos, que enfretava uma de suas maiores guerras em contraste com o movimento hippie pacifista. No Brasil também surgiram inúmeras canções de protesto contra a ditadura militar, quase sempre disfarçadas por metáforas e figuras de linguagem para não serem vetadas pelo governo. Música de protesto é uma lacuna vazia no cenário atual, mas o segmento não foi esquecido. Pelo contrário, boa parte das faixas reunidas aqui continuam atual e ainda são necessárias e soam revolucionárias.

DOWNLOAD MIXTAPE

1. The Clash - White Riot

Em 1976, um conflito entre jovens negros e policiais no carnaval de Notting Hill levou 100 policiais ao hospital. Tudo começou quando um oficial tentou prender um jovem negro, defendendo-se de prisões arbitrárias, os negros começaram a atirar pedras, pedaços de pau e o que mais aparecesse nos policiais. Joe Strummer e o baixista do Clash Paul Simonon estavam no meio da multidão. Strummer juntou-se a Mick Jones e escreveu essa marcha intensa que se tornou o primeiro single da banda. O primeiro passo para o Clash se tornar a banda punk mais politizada de sua época.

Clique e veja vídeo da revolta do carnaval de Notting Hill

2. Sex Pistols - Anarchy In The UK

Ouvindo apenas os primeiros versos, onde Johnny Rotten raivosamente se declara um anticristo e um anarquista, já se pode ter uma noção da força de ''Anarchy In The UK''. No final, ele ainda convocava: ''Fique putos/Destruam!''. Um verdadeiro chamado pra guerra. A EMI recolheu o single de ''Anarchy...'' e rompeu com os Pistols, o que aumentou ainda mais a sua fama de anarquista dos rapazes. Rotten disse em 1977: ''Eu não entendo, tudo o que estávamos tentando fazer era destruir tudo''.

3. The Rolling Stones - Street Fighting Man

Tudo começou depois de Mick Jagger ter participado de um protesto anti-guerra em frente à embaixada americana em Londres, que foi respondido com violência por parte da polícia. A canção mais politizada dos Stones foi registrada em um gravador de fita cassete. ''Street Fighting Man'' já foi reverenciada com um cover por uma diversa gama de artistas, de Rod Stewart à Rage Against The Machine, de Oasis à Ramones. Além disso, serviu de insparação para ''I´m Free'', do The Who, segundo o próprio guitarrista Pete Townshend.

4. Capital Inicial - Veraneio Vascaína

''Veraneio Vascaína'' é originalmente do Aborto Elétrico, banda que contava com Renato Russo e o baixista Flávio Lemos, que passou a integrar o Capital Inicial. A letra faz um discurso ácido e direto à polícia, chamando os policiais de ''tarados; assassinos armados uniformizados''. A venda do LP para menores de dezoito anos e a excução pública da tal faixa foram proibidas. Ainda atual, ''Veraneio Vascaína'' é peça fundamental na set list da banda brasiliense.

5. Patti Smith - People Have The Power

A rainha do punk é conhecida pelo rock nervoso e crítico de seu disco de estréia, o grande clássico Horses. Dream Of Life é o álbum mais comercial de Patti Smith, mas não menos ácido que os demais. ''People Have The Power'' foi um sucesso nas discotecas do mundo inteiro, mas a seus versos sobre o poder do povo ainda continuavam firme e fortes. O protesto nunca foi tão dançante e divertido.

6. James Brown - Say It Loud - I´m And I´m Proud

James Brown começou a envolver-se na política com um show em Boston um dia após a morte de Martin Luther King, que com sua mensagem de não violência e orgulho negro evitou uma revolta na cidade. Brown foi convidado pelo presidente à ir para Washington e fazer um show beneficente, o que aumentou a ligação do músico com a comunidade negra e vice-versa. Assim surgiu não só um grande hit (a faixa chegou ao topo das paradas de R&B), mas também um dos maiores hinos do movimento black power. Apesar de estar classificada como funk, está incluída na lista das 500 músicas que moldaram o rock, feita pelo Rock N´ Roll Hall Of Fame.

7. Aretha Franklin - Respect

A versão original de Otis Reading tem o seu charme, mas a versão de Aretha Franklin é definitiva. Aretha entrou no estúdio nova iorquino da Atlantic no dia dos namorados e saiu de lá com o seu primeiro sucesso a chegar no primeiro lugar das paradas. Inspirada pelo seu conturbado casamento, a rainha da soul music deu um novo sentido à música. Cantando de uma posição superior com sua voz ameaçadora e amparada pelos backing vocals das irmãs Erma e Kandy, Aretha exigia respeito do sexo oposto neste clássico que caiu no gosto dos movimentos feministas dos anos 1960.

8. Crosby, Stills, Nash & Young - Ohio

Em 4 de maio de 1970, a Guarda Nacional matou quatro estudantes que manifestavam contra a guerra do Vietnã na Kent State University, em Ohio. Após ver fotos da tragédia, Neil Young escreveu os versos escancarados que evocam o horror do incidente atribuiam a culpa das mortes ao presidente americano Richard Nixon, ''a coisa mais corajosa que eu já ouvi'', disse David Crosby, que teria ''chorado quando acabamos o take'', segundo Neil Young. Além do grande sucesso, ultrapassando outro hit do grupo, ''Teach You Children'', ''Ohio'' transformou os quatro rapazes em porta-vozes da contra cultura, posição que eles desfrutaram por décadas.

9. Bob Dylan - The Times They Are A-Changin´

''Eu queria escrever um grande música, com versos curtos e consisos que se juntassem de uma forma hipnótica'', contou Dylan sobre a sua primeira canção de protesto. O renomado crítico musical Michael Gray a chamou de ''arquétipo de música de protesto''. Foi lançada dois meses após o assassinato do presidente John F. Kennedy, cristalizando com perfeição uma época de mudanças e incertezas.

10. Marvin Gaye - What´s Going On

A morte de sua parceira musical, Tammy Terrel, foi o estopim para Marvin Gaye. Depois da tragédia, ele passou por um período de reclusão, onde refletiu sobre os problemas do mundo e sobre a sua música, que considerava descartável e irrelevante em frente aos tempos de mudanças que os EUA passava. ''What´s Going On'', apesar da suave base jazzística, era carregada de magoas, frustrações e melancolia, direcionadas principalmente à guerra do Vietnã, capturada na primeira estrofe, quando fala de seu irmão mais novo que lutava na guerra. O presidente da Motown não quis lançar como single afirmando que não tinha apelo comercial, mas por protesto de Gaye, lançou e a canção chegou ao topo das paradas e foi elogiada pelo pública e crítica.

11. Country Joe & The Fish - Feel-Like-I´m-Fixing-To-Die-Rag

Bastaram apenas trinta minutos para Country Joe McDonald escrevesse a letra da mais irônica música de protesto já feita. Desde o ritmo acelerado e simples composto apenas dos acordes do violão até o refrão comemorando a morte (''Oba! Nós vamos todos morrer''). O álbum terminava com sons de tiros e uma grande explosão no final, mas a performance ao vivo em Woodstock com toda a multidão cantando essa grande sátira a guerra do Vietnã e ao costume americano de glorificar a morte é um dos momentos mais icônicos da história do rock.

12. Gil Scott-Heron - The Revolution Will Not Be Televised

A primeira versão de ''Revolution Will Not Be Televised'' traz Gil Scott-Heron recitando o seu poema acompanhado por congas e bombos na introdução do seu disco de estréia, mas o impacto almejado só veio no disco seguinte, Pieces Of A Man, onde a música recebeu uma estontante base soul regida por uma flauta e com o vocal cru e feroz de Scott-Heron que antecipou o rap por mais de uma década.

13. U2 - Sunday Bloody Sunday

The Edge estava deprimido e duvidava até das suas habilidades como compositor após uma briga com a sua namorada. O guitarrista canalizou tudo o que vinha sentindo e escreveu ''Sunday Bloody Sunday'', sobre o Domingo Sangreto, quando tropas inglesas atiraram em manifestantes católicos dos direitos civis. Mas o baterista Larry Mullen, que criou a cativante batida militar, disse que não é uma música para lembrar do incidente, e sim a maneira mais forte de dizer ''Por quanto tempo vamos ter que viver com isso?''.

14. Black Sabbath - War Pigs

A primeira versão de ''War Pigs'' tinha letra e título diferentes dos que conhecemos hoje. A Warner achou a música ''muito satânica'', então o Sabbath resolveu transformá-la num protesto contra ''esses políticos ricos que começam todas as guerras em seu benefício e mandam essas pobres pessoas morrerem para eles''. A banda tentou batizar o disco com o nome da música, mas a gravadora mais uma vez vetou, assim como uma capa com um demônio empunhando uma espada, mas ''War Pigs'' continua sendo um dos maiores clássicos do protesto - e do Black Sabbath, que a tocou em todos os shows desde então.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More